Política e religião

O radialista Humberto Santos está certo: “lugar de padre e pastor é na igreja, não envolvido na política”. Porém, não é justo impedir um s...

O radialista Humberto Santos está certo: “lugar de padre e pastor é na igreja, não envolvido na política”. Porém, não é justo impedir um sacerdote de participar diretamente da política partidária, desde que ele se isente completamente de suas funções ministeriais para não usar a igreja como 'curral eleitoral'.

Mas Cid Cordeiro também está certo: “cada setor da sociedade precisa de representantes, inclusive a Igreja”. Contudo, isso não quer dizer que, apenas o obreiro deva exercer, necessariamente, essa função representativa. Qualquer cidadão instruído pela doutrina de sua igreja ou segmento social, por exemplo, pode e deve estar apto a gerir e defender causas e princípios conforme sua crença.

Esse debate foi promovido no final da tarde desta terça-feira (22) entre os âncoras Humberto Santos e Cid Cordeiro, durante o programa Rádio Notícia, da Rádio Constelação FM de Guarabira (PB). Tudo começou em virtude de uma Nota da Arquidiocese da Paraíba, proibindo a participação de padres na política. Foi uma boa discussão, bastante participativa - apesar de alguns ouvintes desprovidos de conhecimento teológico terem ocupado tempo no rádio com o discurso enfadonho do senso comum. Mesmo assim, acompanhei o debate até o final do programa para poder emitir uma breve opinião, mas sem querer ser o 'dono da verdade'.

Eu acho que padres e pastores devem evitar a política partidária, salvo, em casos específicos - quando há risco à doutrina da fé cristã, por exemplo. Fora disso eu realmente sou contra. Assim como a ‘Eclésia - Igreja’ tem a ver com “povo separado”, eu entendo o sacerdote como alguém separado para uma única missão: anunciar o Evangelho de Cristo e viver conforme o mesmo.

Quando o sujeito se licencia de seu ministério por causa de política partidária, a meu ver, torna vulnerável e duvidosa sua vocação. Insisto, no entanto, que representantes da igreja se proponham a defender princípios éticos na política, inclusive, com apoio da própria comunidade religiosa à qual pertencem - desde guardem e sã doutrina e que a campanha pelo voto também aconteça longe do altar.

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Em relação a padres casados, assunto que rolou no segundo tempo do programa, eu defendo que devem, sim, se casar. Concordo, então, com a opinião do radialista Cid Cordeiro.

São Paulo escreveu que “convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; (...) Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia, (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?) (1 Timóteo 3: 2 – 4 e 5)

Durante o voo de retorno a Roma, depois da recente visita à Terra Santa, o Papa Francisco declarou a jornalistas que as regras do celibato clerical podem mudar e admitiu a possibilidade de a Igreja ter novos papas eméritos, a exemplo de Bento XVI. Observe que pode vir mudança por ai.

Enfim, o padre ou pastor que larga o ministério para entrar na política, termina trocando Jesus por Barrabás - com exceções que não me cabe apontá-las aqui. E em relação ao celibato: eu respeito à tradição, mas não concordo com as normas de Roma, afinal, o fato de padre não casar, não é questão de fé, mas apenas de disciplina para com a Igreja Católica. #Política #Sociedade

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