Dia do Rádio: Um senhor de 92 anos

Modelo dos anos 40 (Foto: Tereza Helena) Hoje é Dia do Rádio. Nada melhor, então, do que falar ...

Modelo dos anos 40 (Foto: Tereza Helena)
Hoje é Dia do Rádio. Nada melhor, então, do que falar um pouco sobre esse veículo de comunicação tão fascinante e importante que nos faz companhia todos os dias, tanto no modelo convencional quanto nas diferentes plataformas de mídia móvel.

Eu já disse outra vez: o rádio faz parte da minha vida e eu sou feliz por fazer parte da história do rádio. Aqui em Guarabira (PB), cidade com menos de 60 mil habitantes no interior da Paraíba, temos 5 estações de rádio, sendo 4 comerciais e uma comunitária.

Diferente do que muita gente pensa, o rádio ainda é muito forte, mesmo na ‘era do smartphone’. Inclusive, a maior parte da audiência vem do carro e do telefone celular que, aos poucos, vai ‘substituindo’ o rádio de pinha.

Um levantamento recente mostrou que pela manhã o rádio tem o dobro da audiência da TV aberta em São Paulo. Conforme os dados, nos transportes coletivos de São Paulo muita gente anda com fone no ouvido. E no trânsito congestionado da cidade, o rádio do carro é um companheiro que presta um serviço relevante. Os resultados são de uma pesquisa da Ipsos Brasil para a Rádio Jovem Pan, a partir de dados do Ibope.

Eu continuo acreditando que o aparelho receptor convencional se torne uma peça de museu num futuro próximo e vire também um objeto de colecionador. Não creio, porém, que ele deixe de existir no mercado. Acrescento ainda que, a partir da migração do AM para FM, os receptores disponíveis no comércio terão a ‘escala de frequência’ estendida para a devida captação das ‘novas estações’ – de 76 a 88 MHz/ canais 5 e 6 da TV analógica.

O 25 de setembro foi escolhido como Dia do Rádio em comemoração ao aniversário de Roquete Pinto, ‘Pai do Rádio Brasileiro’. No ano de 1923 ele inaugurou, oficialmente, a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, primeira estação de rádio inaugurada no Brasil. Mas antes da Sociedade, a Rádio Clube do Recife havia entrado no ar - ela foi a primeira, de fato, e ainda continua em operação. Já a 1ª transmissão de rádio no país ocorreu no dia 07 de setembro de 1922, com o discurso do então Presidente da República Epitácio Pessoa. De lá para cá, são passados 92 anos.

Eu tenho observado durante as minhas audições que as grandes emissoras têm investido forte na internet. Aliás, considerando as opções virtuais, bem como as da própria televisão e dos aplicativos móveis, não dá para fazer rádio em ‘offline’, ou seja, sem o investimento em internet hoje em dia. Mesmo assim, há os ignorantes que insistem em não investir no ‘online’.

A qualidade de áudio no streaming – transmissão online - é importante. Além de o anunciante poder julgar as qualidades de áudio e da programação de determinada emissora, o público ouvinte também tem a opção de divulgar a rádio com eficiência nas redes sociais, por exemplo. Mas o conteúdo, por sua vez, é cada vez mais fundamental para que uma emissora de rádio mantenha sua audiência, principalmente no ‘online’, levando em conta que, na internet, o rádio ultrapassa as fronteiras. 

Outro fato interessante é volta do comunicador para um espaço que lhe fora ‘tomado’ pela música nos anos 80 e 90. Observo que a música está deixando de ser 'produto principal' para ser complemento. A proposta agora é voltar com conteúdo específico em horários específicos, claro (!), sem deixar de tocar música na programação.

Enquanto a Voz do Brasil está no ar pelas frequências em AM e FM, rádios como Jovem Pan e Estadão têm outra opção para os seus ouvintes, apenas no online.

A Rádio Jovem Pan reproduz o programa “Os Pingos nos Ís”, que é levado ao ar durante a semana, das 18h às 19h. A Rádio Estadão lançou o Estadão Online, das 19h às 20h, ao vivo. Com isso, quem está ouvindo rádio pelos aplicativos mobiles tem a opção de ouvir estes programas na hora da Voz do Brasil. 

Investir em programas na faixa das 19h, então, tem sido uma tendência que também gera faturamento para a emissora. Como o interesse pelo ‘online’ ainda é pequeno aqui na Paraíba, ou a gente ouve a Voz do Brasil ou desliga o rádio na faixa das 19h, pois ainda não existe programa no horário para a plataforma online.

E sobre a Voz do Brasil, há quem defenda o fim do programa. Outros defendem sua flexibilização. Eu sou contra a extinção e a favor a flexibilização para outros horários das 20h às 23h, desde que tenhamos uma proposta melhor para as 19h.

Perceba que ao longo de todos esses anos, apesar de tudo, o rádio tem se adaptado às mudanças, se reinventado, e atendido a diversos interesses. Tem inspirado e virado tema de música e cinema. O rádio nunca vai acabar - pelo contrário, ele se mantém sem perder a magia e, principalmente, o status de ‘melhor amigo do homem’’. 

No Dia do Rádio, eu encerro por aqui reproduzindo o que disse o saudoso radialista Hélio Ribeiro:

“(...) o rádio é a maior oportunidade perdida de melhorar o mundo. Perdida, sim, porque infelizmente são poucos aqueles que entendem e sentem o poder que esse veículo tem. O poder de transferir o arrepio. O poder de aplacar a ira. O poder de motivar para fazer. O poder de balancear a cadencia do coração de cada um (...)”

Viva o rádio, um senhor de 92 anos que continua nos fazendo companhia, informando e entretendo todos os dias! Rádio: sinceramente, não dá para viver sem ele. #SintoniaFina #DiaDoRádio



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