Erros estratégicos, isolamento político e escândalos envolvendo RC podem definir eleições da PB no 1º turno

Por Eliabe Castor Quando ainda adolescente, aprendi que na matemática, um teorema é uma afirm...


Quando ainda adolescente, aprendi que na matemática, um teorema é uma afirmação que pode ser provada como verdadeira através de outras afirmações.  Isso se resolve tomando algumas afirmações como verdades a priori, as chamadas hipóteses do teorema. Seguindo esse preceito, somado a um silogismo, o governador Ricardo Coutinho (PSB) vem perdendo fôlego a cada dia para levar as eleições da Paraíba a um possível segundo turno. A quatro dias do pleito, escândalos explodem e implode a confiança dos eleitores indecisos, aqueles que irão decidir nos milésimos de segundo, dentro das cabines eleitorais, em quem votarão; o que poderá prejudicar o postulante socialista.

Não é preciso ser matemático, físico, dominar as ciências exatas, ou ser passional. O fato é que, apesar de Ricardo Coutinho diminuir a diferença entre seu maior adversário, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), em nenhum momento o governador, candidato à reeleição, esteve à frente do seu opositor e, somado o número de votos que os demais postulantes têm, as chances de o jogo terminar no primeiro tempo na Paraíba são plausíveis.

Além dos números apresentados por todas as pesquisas eleitorais já expostas ao longo da campanha, Ricardo Coutinho conta com adversários fortes, como 32 deputados estaduais que o fazem oposição, além de toda a bancada federal. Ou seja; ele está praticamente isolado politicamente no que diz respeito à Assembleia Legislativa e os paraibanos que ocupam um assento no Congresso Nacional. Ainda há a debandada de prefeitos, vereadores, lideranças políticas e surpresas, como foi o caso do deputado federal Manoel Júnior (PMDB), que declarou apoio ao tucano no último dia 27, na sua cidade natal, Pedras de Fogo.

Apesar de o seu partido ter candidatura própria, o senador Vital Filho, disse o peemedebista: “Não posso deixar de estar ao lado do que é melhor para o nosso estado, e o melhor para a nossa Paraíba é com toda certeza Cássio Cunha Lima, amigo de sempre e companheiro de Pedras de Fogo”. Ainda contam contra Ricardo Coutinho o escândalo do suposto superfaturamento na compra de um helicóptero para servir a Polícia Militar. Inclusive a compra não passou pelo crivo da Procuradoria-Geral do Estado. Segundo a entidade, a Constituição Federal e Estadual reserva aos procuradores do Estado a exclusividade dessa prerrogativa.

Outros escândalos recentes: Há, ainda, um novo escândalo na Granja Santana, residência oficial do governador do Estado. Em 2011, houve uma repercussão nacional devido a gastos exorbitantes naquele recinto. Em 2012,  segundo levantamentos junto ao Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), os gastos das compras de 2012 são mais escandalosos. Em um só dia, foram comprados 21.830 kg de carne diversas como comprovam as notas fiscais emitidas em série (998, 999, 1000, 1001 e 1002), no dia 26 de julho de 2012. Todas as notas estão com as mesmas quantidades e os mesmos valores.

Outro problema: O Tribunal de Contas da Paraíba,  no seu Portal da Cidadania  (Sagres) constatou  que, entre dezembro de 2011 e agosto de 2012, o Governo comprou duas mil latas de farinha láctea e 860 quilos de leite em pó, equivalente a 2.150 pacotes.Uma conta que chega a R$ 15.987,50 apenas para abastecer as despensas da Granja Santana.

Para finalizar, ainda há o que a imprensa está chamando de “Propinoduto”. Uma espécie de mensalão que teria como beneficiados figuras proeminentes do Governo do Estado: Laura Farias (Sudema), a secretária Livânia Farias (Administração), o procurador-geral Gilberto Carneiro e Coriolano (irmão do governador Ricardo) Coutinho. Por todos esses problemas, Ricardo Coutinho terá que gastar muita saliva, abraçar criancinhas, buscar a humildade, e convocar a militância socialista para ir às ruas, já que boa parte dos petistas ainda guarda na memória os ataques do governador à candidata à reeleição para a presidência da República, Dilma Rouseff, quando sua adversária, Marina Silva (PSB) esteve no início do mês na Paraíba.

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