"É uma vida inteira passando pela mesma coisa", diz Joyce Ribeiro sobre racismo

Do Portal Imprensa A internet e as redes sociais são um grande avanço para as pessoas se comu...


A internet e as redes sociais são um grande avanço para as pessoas se comunicarem e informarem. Entretanto, este acabou se transformando num território onde sob anonimato as pessoas destilam ódios e preconceitos.

A nova vítima do ódio na internet é a jornalista Joyce Ribeiro, do SBT. Uma fanpage no Facebook criada por admiradores do jornalismo da emissora de Silvio Santos, sem querer, abriu espaço para que a usuária "Simone Hidalgo", no dia 21 de novembro, enviasse a seguinte mensagem: "Esta negra chata, vesga, gaguejando, na bancada do jornal é deprimente, fora Joice Sebastiana crioula, volta para o tronco".

"Acostumada" a lidar com racismo durante toda sua vida, Joyce ficou chocada com a mensagem e denunciou o crime de injúria racial na delegacia de crimes digitais. 

À IMPRENSA, a jornalista revela os bastidores do caso, conta como lida com o preconceito camuflado existente no Brasil e relata seus projetos para o futuro.

IMPRENSA: Por que decidiu denunciar o caso?

JOYCE RIBEIRO: Temos noticiado vários casos de agressão pela internet e as pessoas se sentem muito soltas para fazer o que querem na web, achando que não tem nenhum tipo de punição. E o que me motivou também, além do fato de ser agredida, foi essa questão de passar para as pessoas esse caminho de como proceder se tiver um problema desses.

As redes sociais ampliou a ideia de que as pessoas podem falar o que quiserem das outras, por essa "invisibilidade" que a internet oferece?

Acho que de certa forma sim. As pessoas se sentem protegidas. A princípio, até pouco tempo atrás, era difícil rastrear o autor [da injúria]. Então, essa sensação de que 'nunca vou ser descoberto' passou a fazer parte do cotidiano. As pessoas acham, ainda hoje, que a internet é um ambiente sem lei.

As pessoas precisam entender que não é assim. Primeiro que as pessoas não devem sair agredindo umas às outras, mas se isso é muito difícil de as pessoas entenderem, que seja através da punição.

Parece que essa não é o primeiro caso de racismo contra você, Isso já aconteceu outras vezes?

A questão de racismo, infelizmente, aconteceram outras vezes. Agora, na internet, recebi poucas manifestações desta forma. Mas essa foi a mais agressiva de todas e por isso achei que deveria me posicionar desta forma, por isso resolvi denunciar.

Agora, de racismo, na vida eu sofri muitas coisas. Lembro de situações de quando era criança. É uma vida inteira passando pela mesma coisa. As pessoas me procuram bastante para falar sobre isso e eu sou das pessoas mais otimistas, que vê o que já conquistamos e o que ainda temos para conquistar, não ficar só presa nos problemas. Mas os problemas ainda existem. E a gente não pode fechar os olhos.

Você acha que sua visibilidade como jornalista amplia a possibilidade desse tipo de crime?

Favorece, sem dúvidas. Temos essa questão no Brasil, que muito se fala, do racismo velado. Na prática, é o que acontece. Muitos, sem generalizar, ainda acham que não ser racista, que aceitar o negro na sociedade é aceitá-lo em posições desfavoráveis, prestando serviços mais desqualificados. A partir do momento que você encontra pessoas que vencem socialmente, que são estudadas e que não aceitam essa discriminação, principalmente a racial, começa-se a mostrar aquele racismo que está ali, só não estava tão aparente.

Falando em coisa boa, quais são seus planos no jornalismo?

Está muito legal trabalhar no SBT. Desde setembro passei a fazer o "Jornal da Semana", que é um resumo das notícias semanais. Ele passa todos os domingos bem cedinho, um pouquinho antes das seis e fica até umas 7h e pouco da manhã. É uma hora e 15 mais ou menos de telejornal. Fora isso, participo dos telejornais da emissora.

Além disso, lancei um projeto paralelo que é um programa de entrevistas na internet, o "Joyce Entrevista". Estreou esse ano, está na primeira temporada e tem sido muito legal. Entrevisto pessoas dos mais variados segmentos e agora ano que vem começa a segunda temporada.

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#SintoniaFina

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