Roberto Cavalcanti mostra indignação com corrupção e diz que economia será ruim em 2015

Do Correio da Paraíba O empresário e ex-senador Roberto Cavalcanti, diretor-presidente do S...



O empresário e ex-senador Roberto Cavalcanti, diretor-presidente do Sistema Correio de Comunicação, em entrevista concedida ao programa Rede Debate, da RCTV, Canal 27 da Net Digital, falou sobre corrupção no país, projeções da economia e particularidades pessoais.

Da ‘sabatina’ ao ex-parlamentar participaram os jornalistas Hermes de Luna, Heron Cid, Lena Guimarães e José Vieira.

Corrupção

Com passagem direta pelo universo da política, Roberto Cavalcanti foi questionado, logo no início da conversa, sobre a profusão de escândalos envolvendo grandes nomes dessa esfera e grandes empresas no Brasil, principalmente no caso da Petrobras.

“Eu sou um eterno otimista. Tenho consciência financeira apurada. Sendo assim, sintetizo minha surpresa pela dimensão dos fatos. Eu nunca imaginei que se pudesse roubar o país como foi feito. Acredito que tenha sido o maior roubo do mundo. Também acho que tem que ter havido uma permissividade muito forte, pois ninguém rouba nessas proporções sem que isso seja notado”, disse Cavalcanti, acrescentando que, quando esteve no Senado, muitas vezes questionava os líderes do PSDB e achava que suas denúncias eram ‘dor de cotovelo’, mas agora viu essa realidade escancarada.

“Nas minhas empresas, se eu desconfiar de algum desmando, eu vou atrás para apurar do que se trata”, contou, fazendo uma comparação com a gestão do Governo Federal. Ele também deu créditos à imprensa e afirmou que graças à mesma estamos alcançando todos os aspectos dos roubos cometidos contra os cofres públicos.

Educação e Democracia

Cavalcanti disse que o Brasil evoluiu muito, mas ainda não está maduro democraticamente. Segundo ele, apenas um bom processo educacional fará com que a população possa julgar corretamente as propostas daqueles que são eleitos como representantes.

“Se critica muito os parlamentares, mas nós mesmos os elegemos”, resumiu o raciocínio. Conforme sua argumentação, uma sociedade educada não estaria sujeita a manipulações.

“Antigamente se dava o pão e circo e hoje tem Bolsa Família ou algo do tipo que acaba manipulando a população. Eu me preocupo com eventuais projetos políticos ideológicos que visem transformar o país em algo longe do aspecto democrático”. Nesse ponto, o ex-senador falou sobre características do exterior que podem refletir no nosso país, dizendo que há uma tendência não democrática na América Latina, sem necessariamente nomear ou direcionar o comentário para alguns países, apesar de seus interlocutores terem citado a Argentina e a Venezuela.

Energia

Sobre a geração de energia, tema essencial nos dias de hoje, Roberto disse que “se iludem as pessoas que acham que o petróleo vai ser o que foi no passado. Dentro de 10 anos teremos a concorrência das outras formas de energia, como eólica e solar”.

Para ele, o Brasil deve olhar para esses outros meios, afirmando que “fomos enganados” com relação à produção do petróleo. Cavalcanti disse que o Brasil sempre é tido como o “país do futuro”, mas nunca sai desse patamar. Por isso, segundo ele, a população deve continuar cobrando melhorias e eficiência em todos os níveis de gestão governamental.

Economia

O empresário não vê com bons olhos os destinos da economia brasileira e, sobretudo, da nordestina no ano de 2015. Ele disse que, além dos escândalos de corrupção, com desvio de dinheiro público e uma falta de credibilidade do Estado perante o mercado financeiro internacional e os cidadãos, a crise econômica que paira sobre o Sudeste do país será um fator contribuinte para influenciar um baixo crescimento da região Nordeste no próximo ano.

Aspectos pessoais e retorno à política

O perfil pessoal do empresário também foi tratado na conversa com os jornalistas.

“Me irrito quando tentam me fazer de bobo”, disse Roberto. Ele também evidenciou que sempre enriquece com o contraditório e gosta de debater ideias.

Ele contou que não se arrepende por ter trocado o estado de Pernambuco pela Paraíba:

“Olho com carinho para Pernambuco, mas devo tudo da minha vida à Paraíba.”

Após passagem pelo Senado Federal, onde chegou após ser suplente do senador eleito José Maranhão, concluiu que teve uma boa atuação pois, até hoje, muitas pessoas querem que ele volte ao mundo da política.

No entanto, Cavalcanti disse ter razões para não retornar:

“Habilitação para voltar à política é total, mas não volto por convicções pessoais.”

Sobre amizades e inimizades surgidas no âmbito político estadual, disse que já travou boas brigas com Cássio e Cícero, mas que estas não se estenderam para o lado pessoal. Hoje em dia, segundo ele, foi estabelecido um relacionamento muito bom com ambos, existindo uma convivência altamente respeitosa.

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