Opinião: Obiang, Rousseff e o carnaval carioca

Por Nonato Nunes Amigo leitor. Não me causou surpresa alguma o fato de a escola de samba Beija Flor ter negociado com Teodoro   Obiang, d...

Por Nonato Nunes
Amigo leitor. Não me causou surpresa alguma o fato de a escola de samba Beija Flor ter negociado com Teodoro Obiang, da Guiné Equatorial (África ocidental), uma divulgaçãozinha da ditadura dele no carnaval carioca deste ano mediante o pagamento de alguns milhões de reais.

Obiang assumiu o poder em 1979 após derrubar e executar o próprio tio, Francisco Macías, que tinha pretensões à onipotência. Desde então o país, que tem uma população total equivalente à de João Pessoa (capital da Paraíba), passou a conviver com perseguições, prisões, condenações e execuções.

À Imprensa brasileira a escola de samba alegou que o tema escolhido teve por finalidade útil divulgar as “belezas naturais” do país de Obiang. É óbvio que faltou critério ético e sobrou justificativas para a aceitação de valores que atenderiam às necessidades financeiras da escola, uma das mais tradicionais do carnaval do Rio de Janeiro. Antes o bolso, depois a ética.

Continuando... O país de Obiang é relativamente rico em petróleo. A extração do “ouro negro” fez o PIB (Produto Interno Bruto) do país crescer numa média de 13% ao ano entre 2001 e 2010. Mas como em todo e qualquer governo sanguinário e corrupto, tudo o que é produzido no país vai para os bolsos de Obiang, da família dele e de assessores só recomendáveis à sua excelência, o senhor Ali Babá. O resultado é o aumento da pobreza e da miséria, mazelas que acompanham as populações de praticamente todos os países da África sub-saariana.

No país do flagelo Obiang a expectativa de vida (2010-2015) é de 51,5 anos para os homens, e de 54,5 para as mulheres. Para se ter uma ideia da gravidade da situação social daquele país africano nesse quesito específico, no Haiti (para o mesmo período), uma das nações mais pobres do planeta, a expectativa de vida para os homens é de 61,1 anos e 64,9 para as mulheres. Quem tiver a paciência de consultar os índices econômicos de ambos os países vai ver que são amplamente favoráveis à Guiné Equatorial. O país de Obiang, no entanto, fica abaixo do Haiti no item Mortalidade Infantil. Entre os guinéus-equatorianos morrem 72 crianças por mil nascidas vivas. No Haiti, 57.

Assim como não me surpreendeu o enredo da Beija Flor fazendo, nas entrelinhas, a apologia de uma ditadura africana. Também não fiquei nada estarrecido (para usar aqui a palavra preferida da senhora Rousseff sempre que se sentia acuada) em ver a presidente do Brasil ao lado de Teodoro Obiang. Foi uma das primeiras imagens dos telejornais brasileiros no último dia de carnaval.

Pense numa quarta-feira de cinzas...

Isso, amigo leitor, não é nada demais para quem sugeriu negociações com o Estado Islâmico. Talvez as imagens de pessoas sendo decapitadas vivas diante de milhões de telespectadores fossem apenas parte de um “relax ideológico”. E você? O que acha?

Sei não... mas esse atrativo por ditaduras parece ser algo patológico. Ou estou enganado?

Um abraço e até a próxima.

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#Política #Opinião

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