Blog do Ikeda repercute artigo de jornalista em homenagem a professora centenária Maria Eulália: À mestra, com carinho

Por Nonato Nunes Amigo leitor. Foi com satisfação que recebi a informação de que a respeitadíss...

Por Nonato Nunes

Amigo leitor. Foi com satisfação que recebi a informação de que a respeitadíssima senhora Maria Eulália Cantalice chegou aos 102 anos de idade sem perder o orgulho de ser (isso mesmo: de ser...) professora.

Há dois anos tive a alegria de me reencontrar com ela na Escola Técnica de Comércio Santo Antônio, em Guarabira. E qual não foi a minha satisfação de vê-la ali, sentadinha, cuidada por todos como uma relíquia sagrada (e não deixa de ser...). Disso ela faz questão... É uma forma de resistir ao tempo. De não permitir que os moderninhos de hoje esqueçam o que ela foi e o que representa para a sua cidade e para a sua gente.

Essa senhora é uma fortaleza em si. E como a deusa Palas Atena, se porta, galhardamente, como o último bastião do saber contra as investidas da ignorância. Seu nome bem que poderia ser Joana d’Arc, Anita Garibaldi, Boudica (a heroína do povo celta na luta contra o invasor romano), Elizabeth 1ª (a “rainha de ferro” dos britânicos) etc., bravas mulheres que honraram os seus nomes com atos de bravura e resistência. Mas não... Ela é simplesmente Maria Eulália, uma heroína do saber.

Cultivo até hoje o orgulho de ter sido um dos seus aprendizes. Essa senhora, pela qual tenho verdadeira veneração, me instruiu na língua-mãe com zelo, paciência e dedicação. São qualidades intrínsecas a uma profissão sem a qual uma sociedade estaria desprovida de cérebros criativos. Por conseguinte, não passaríamos de trogloditas.

Sem o professor não teríamos Einstein, Tesla, Fermi, von Braun, Voltaire, Diderot, da Vinci, Michelangelo, Rafael, Darwin, Oppenheimer, Ford, Galileu, Newton, Bruno, Platão, Aristóteles, Sócrates, Diógenes, Confúcio etc..., etc..., etc.

Dona Maria Eulália representa, sim, uma categoria superior na estrutura de uma sociedade que enxergue no saber a porta de entrada para o desenvolvimento intelectual e material. Essa senhora é a simbologia de um tempo cronológico definido no qual o professor representava a extensão da figura paterna... A escola, como fator de integração de mentalidades tão díspares, era uma extensão do lar na acepção denotativa da palavra, razão pela qual era possível atenuar o ímpeto de uma juventude que seguia um código de conduta não pela via da imposição, mas da consciência.

A professora Maria Eulália enobrece a categoria profissional da qual tanto se orgulha. E nós, os seus eternos pupilos, continuamos a aprender com sua longevidade. Oxalá a natureza seja generosa e dê a ela mais um século de vida.

À mestra, com carinho.

Um abraço e até a próxima.
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#Sociedade #Opinião

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