Eleitores não, devotos

Por Nonato Nunes, jornalista Amigo leitor. A política interiorana, seja na Paraíba ou em qualquer outro Estado brasileiro, tem lá suas ...

Por Nonato Nunes, jornalista

Amigo leitor. A política interiorana, seja na Paraíba ou em qualquer outro Estado brasileiro, tem lá suas semelhanças com os conflitos religiosos da Idade Média ou mesmo com as práticas exercidas pelos Estados teocráticos da atualidade. Esses seguidores, cujo comportamento beira o sectarismo do próprio Estado Islâmico do Iraque e do Levante, não enxergam no político um simples homem público, mas a própria reencarnação do visionário Antônio Conselheiro, ou quem sabe do frei Damião ou do próprio “padim” Cícero Romão Batista. Um exemplo disso é Luiz Inácio, que nas áreas mais atrasadas do país (e mesmo em algumas capitais) exerce um fascínio só comparado aos santos mais populares.

Senhorinhas de idade já avançada tentam tocar-lhe o corpo na esperança de obterem algum milagre. Outras chegam mesmo a fazer promessas e orações na intenção de alguma cura... Até mesmo jovens em idade escolar embarcam nessa onda de devoção política e seguem o “santo milagreiro”. E assim vamos seguindo com a nossa ignorância secular (e política...), capaz de separar mãe de filho, mulher de marido, avô de netos, amigos de amigos e tudo de todos.

Eleitores se transformam em “fanáticos religiosos” capazes dos atos mais insanos para demonstrar sua devoção pelos de sua preferência. A eles não são erguidos palanques, mas construídos andores nos quais podem exibir o “santo” de sua devoção. Verdadeiras guerras localizadas são travadas, numa versão política local das Cruzadas ou das guerras mais sangrentas entre católicos e protestantes desencadeadas nos séculos 17 e 18 na Europa, e cujos resquícios chegaram à segunda metade do século 20 nas Irlandas.

Cá entre nós isso pode ser classificado como um puro “tupiniquinismo paleolítico”. Ora, se somos incapazes de enxergar o Homem como apenas mais um indivíduo a compor o reino animal, como podemos nos considerar, psicologicamente, sãos?

Cada qual é livre para fazer suas escolhas, estejam elas certas ou erradas. Da mesma forma que cada qual pode emitir suas opiniões sem o temor de ser molestado de alguma forma. Isso é democracia. Isso é liberdade de expressão.

Ocorre que nos dias de hoje se observa o recrudescimento da política partidária nos mesmos moldes de uma espécie de “guerra santa”. Quem opina diferente corre o risco de sofrer algum tipo de represália, pois o debate civilizado vem sendo substituído por discussões pouco edificantes para o processo democrático. 

O debate de ideias é salutar, mas desde que não descambe para o conflito. Essas guerrinhas, é óbvio, apenas interessa a um lado: o do político. Este funciona nos mesmos moldes dos promotores das lutas entre os gladiadores: contratam os indivíduos e os põem para brigar. Ao final, todos perecem e eles (os contratantes) saem no lucro.

Portanto, evite se comportar como um gladiador no circo máximo de Calígula. Ou mesmo como um devoto. Pense nisso!!!

Um abraço e até a próxima.
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#Política #Opinião 

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1 comentários

  1. O Texto de Nonato é edificante e esclarecedor. Parabéns pela linha editorial escolhida. Parece até um recado para muitos de Guarabira.

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