Novo escândalo abala igreja: Religiosos vivendo como casais homoafetivos; Dom Aldo sabia de tudo

Por Lenilson Guedes, do Jornal da paraíba Um mosteiro com ares de palácio e cercado de polêmicas. Construído há dez anos por iniciativa...

Por Lenilson Guedes, do Jornal da paraíba

Um mosteiro com ares de palácio e cercado de polêmicas. Construído há dez anos por iniciativa do monsenhor Jaelson de Andrade, (foto) atual pároco da Igreja Santo Antônio do Menino Deus, em João Pessoa, o mosteiro Mãe da Ternura, em Itatuba, é um convite ao recolhimento e à reflexão dos fiéis que visitam o local. Contudo, por trás da aparente tranquilidade, a história do mosteiro, que funciona sem o reconhecimento da Arquidiocese da Paraíba, tem um capítulo obscuro, com denúncias e acusações.

O JORNAL DA PARAÍBA teve acesso à cópia de uma carta-denúncia redigida pelo monge da Igreja Anglicana dom Raphael Caneschi, que teria passado quase um ano no local a convite do monsenhor Jaelson. A carta foi entregue ao arcebispo da Paraíba, dom Aldo Pagotto, e ao então arcebispo de Garanhuns, dom Fernando Guimarães, responsável pela visita à arquidiocese no ano de 2013, durante visita canônica. O documento estaria também na Nunciatura Apostólica do Brasil, em Brasília, órgão da Igreja equivalente à embaixada do Vaticano no país.

Segundo a carta, o funcionamento do mosteiro não estaria de acordo com as normas da Igreja Católica. A denúncia foi encaminhada à Arquidiocese em 2013, mas só agora a imprensa teve acesso ao conteúdo. Até então, era ‘segredo’ tratado apenas dentro da Igreja, longe dos fiéis. O documento denuncia, entre outras coisas, o consentimento para relacionamentos homoafetivos dentro do mosteiro e a permissão da vinda de monges de outra igreja, que não a católica. O monge relatou, na carta, que viveu sob forte estresse e pressão para ‘abafar’ tudo o que acontecia lá dentro. Ele contou que chegou a ter surtos psicóticos enquanto estava no local.

Como monge beneditino anglicano, o autor das denúncias conta que foi convidado, junto com um companheiro, dom Guilherme, pelo monsenhor Jaelson, para ajudá-lo na fundação do mosteiro. Em troca, o monsenhor ajudaria os monges anglicanos a fazerem parte da diocese.

Na carta, dom Raphael diz que mantinha um relacionamento homoafetivo com dom Guilherme – o que seria permitido pela igreja a qual faziam parte – e que essa relação era de conhecimento do monsenhor Jaelson. “O monsenhor liberou para que nós pudéssemos ter relacionamento no Mosteiro quando assim desejássemos; não somente nós, mas também os outros irmãos que têm esse desejo”, narra o monge. Dom Raphael ainda acrescenta que, além do mosteiro, havia apartamentos em João Pessoa e Recife, onde os eles poderiam “praticar a homossexualidade”.

O monsenhor teria começado a ficar preocupado, segundo o monge, quando soube que haveria uma visita canônica à arquidiocese. “Ele queria que saíssemos de férias para não descobrir o que se passava no mosteiro, já que eu e o dom Guilherme somos um casal homossexual”. Na narrativa, dom Raphael ainda fala sobre casais homoafetivos dentro do mosteiro.

O mosteiro Mãe da Ternura está localizado na zona rural de Itatuba e recebe fiéis durante todo o ano, realizando, inclusive, retiros e outros eventos católicos. 

A carta redigida pelo monge é de conhecimento do arcebispo da Paraíba. Procurada, a arquidiocese confirmou a existência e o recebimento da carta e informou que apurou as denúncias, mas nenhuma delas foi confirmada.

Diante dos questionamentos sobre o funcionamento do mosteiro, a Arquidiocese da Paraíba afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que o local é de propriedade particular, não tendo ligação alguma com a diocese, e que, por esse motivo, quem responde pelo local é exclusivamente o monsenhor Jaelson. A assessoria disse ainda que, por ser particular, sem vínculo com a arquidiocese, não necessitaria de autorização do arcebispo para funcionar.
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