Opinião: Ricardo Coutinho, sozinho na corrida presidencial de 2018

Por Belarmino Mariano Neto Alguns blogs paraibanos, provavelmente "bem intencionados&quo...


Alguns blogs paraibanos, provavelmente "bem intencionados" tentam criar a ideia de que o atual governador Ricardo Vieira Coutinho (RVC) poderá vir a ser candidato a presidente em 2018, simplesmente por que, o mesmo, muito dependente de verbas federais para tocar alguns projetos quase que parados pela tal "crise neoliberal", faz defesas constantes ao governo Dilma Russeff, que na atualidade é fortemente atacado pelo seu arquirrival Cássio Cunha Lima, líder nacional do PSDB. Se o tucano voa alto e é considerado o Senador líder nacional do Partido, RVC, mesmo tendo sua atuação restrita ao Estado da Paraíba, também precisa aparecer como um potencial nome no cenário político nacional.

Não existem dúvidas, quanto a sua atuação em tentar garantir uma unidade do PSB em defesa do governo petista, que enfrenta a sua pior crise de credibilidade nacional. Depois da morte de Eduardo Campos, o PSB perdeu o prumo de sua rota e muitos aventureiros estão se aventurando em substituir o ultimo grande líder nacional do partido e diga-se de passagem, nem era tão assim, pois Campos era um completo desconhecido em regiões como o Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil.

Algumas perguntas poderiam ser feitas antes de mais nada: Se Campos que era o líder nacional do PSB, era um desconhecido em quase 70% do país, será que já existe alguém que se aproxima dele, em pelo menos nos estados do Nordeste? Qual é a relação do PSB com o PSDB em muitos estados brasileiros?

Estranho mesmo, pois o PSB/PSDB têm laços históricos no maior reduto do PSDB, São Paulo. Houve um pequeno rompimento da cúpula do PSB, nas ultimas eleições, diante da candidatura de Eduardo Campos, depois que Marina Silva (Rede) se aproximou de Eduardo. mas com seu falecimento, houve o abandono da candidatura de Marina Silva (substituta de Campos) por parte de importantes setores do PSB paulista.

Aqui na Paraíba, isso foi sentido também, pois o então candidato Ricardo Coutinho, aliado do PT, não fez a campanha de Marina Silva, enquanto os aliados petistas alavancavam a candidatura de Dilma aos quatro cantos do Estados. RC só iniciou uma tímida aproximação, depois que pesquisas apontavam crescimento da candidata do PSB/Rede.

Outro agravante. No segundo turno, em várias regiões do país, o PSB apoiou Aécio Neves, inclusive Marina Silva, contrariando sua história política de esquerda. E vimos que, os vários deputados e senadores eleitos pelo PSB vacilam em seguir a bancada de oposição liderada por Cássio (PSDB) em várias matérias.

Outro aspecto a ser considerado na análise foi que, RC, se aliou ao tucano Cássio Cunha Lima, em 2010, se elegendo governador e favorecendo a eleição do tucano para o senado, pois o mesmo estava com a ficha suja e certamente não poderia ser candidato ao governo da Paraíba.

Para 2014, havia uma clara sinalização de continuidade de aliança com o tucano na Paraíba, desde que tivesse acontecido uma aliança entre Eduardo Campos e Aécio Neves para a eleição presidencial, já no primeiro turno. Como isso não aconteceu, todos lembramos que o impasse Ricardo e Cássio como aliados durou até o limite do prazo para o jogo das alianças.

Quando se definiu o jogo de alianças, RC, que estava quase só, conseguiu a duras penas, arrastar o bloco dirigente do PT para sua aliança, conseguindo com isso, montar uma chapa, de início, até certo ponto muito frágil. O grupo se sustentou nos primeiros meses de campanha, com uma forte campanha para desqualificar o então Cássio Cunha Lima, que ainda aguardava uma decisão do TSE, se poderia ou não ser candidato. Com uma violenta campanha em redes sociais, os militantes do PSB, conseguiram minar violentamente a imagem do tucano, como sendo "Ficha Suja". Mesmo assim, o tucano ainda conseguiu vencer RC no primeiro turno. O fiel da balança para a vitória de Ricardo no Segundo Turno, foi o PMDB, o mesmo PMDB que elegeu Dilma, Eduardo Cunha e Renam Calheiros, entre outros que estão com os nomes citados nos escândalos do "petrolão" ou a "Lava-Jato".

Se voltarmos para a Paraíba, o Mesmo RC que aparece como um possível vice do PT em 2018, ficou roendo uma rapadura para que Campos tivesse se aliado com Aécio naquele primeiro turno, assim ele garantia a aliança com Cássio e a sua reeleição folgada. A política que se queria, nem sempre é aquela que se desenrola enquanto um processo dinâmico e incerto.

Hoje, o PSB é um dos partidos mais parecidos com o PMDB em suas ações. No congresso nacional, seus deputados estão completamente divididos entre aqueles, que ainda nutrem uma certa aproximação ao governo ptista, na esperança de adentrar em um ministério qualquer e, existem aqueles que flertam com a oposição, orquestrada pelo PSDB/PPS/PP/DEM/ entre outros.

Quem melhor definirá essas afirmativas, será a eleição de prefeitos em 2016. façamos uma macro-pesquisa em São Paulo, maior colégio eleitoral e veremos, o grande quantitativo de alianças municipais entre PSB e PSDB para as disputas municipais. Veremos também a situação de Minas Gerais, outro grande reduto de alianças históricas entre PSDB e PSB.

Então senhoras e senhores, se aqui na Paraíba, temos um pequeno caso de desentendimento, brigas e arranhões entre tucanos e girassóis, podemos dizer que essa é uma realidade política da Paraíba pequenina, com um colégio eleitoral que não chega nem perto de uma capital Rio de Janeiro. Mas na política tudo é possível, cenários são desenhados em uma constante, mas 2018 é logo ali pertinho.

Sonhar não dar dor de barriga em seu ninguém e se o sonho for muito grande, pra quê barriga? Os militantes do PSB já estão lançando RC para presidente em 2018. Não sabemos se é uma tentativa em ofuscar o líder nacional dos tucanos que é o senador paraibano, ontem aliado de primeira hora e hoje inimigo político? Ou será para tentar de maneira antecipada, ocupar o vácuo de poder deixado pelo PT em sua saga de autodestruição política?
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#Política 

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