Os limites da liberdade

Liberdade de expressão é o direito que você, cidadão, tem de dizer o que pensa a respeito de determinado assunto. Liberdade de imprensa é o...

Liberdade de expressão é o direito que você, cidadão, tem de dizer o que pensa a respeito de determinado assunto. Liberdade de imprensa é o direito que um jornalista tem, por exemplo, de usar um veículo de comunicação de massa, como rádio e televisão, para expressar sua opinião sobre determinado tema. É assim também com o advento da internet. O que passar disso, então, é liberdade tendenciosa e descompromisso com a verdade da notícia. 

Talvez, na ânsia de provocar e comprometer o mandato e o futuro do empresário e vereador de Guarabira Armando Malaguty, vice-presidente do PMDB municipal, que concorrerá à reeleição nas eleições de 2016, um site de notícias da cidade de Guarabira (PB) publicou uma matéria tendenciosa, e outros replicaram o conteúdo, dando conta de que o parlamentar teria sido condenado, porém sem o parecer final da Justiça.

A acusação da editoria do Portal 25 Horas, considerada leviana pelo peemedebista, teve como base o 4º lote de sentenças referentes ao julgamento de ações de improbidade administrativa e crimes contra a administração pública dos processos relacionados pela Meta 4 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dos quais, o vereador teria sido ‘condenado’ em dois, conforme manchete do site. Até que ponto compete a imprensa condenar alguém?

Na quinta-feira (15), com a decisão da Justiça em mãos, o parlamentar procurou a imprensa de Guarabira para comprovar sua absolvição e dar esclarecimentos. Em entrevista na Rádio Rural AM de Guarabira, no programa em que o editor do site é apresentador ao lado do radialista Fabiano Lima – que ficou no meio do ‘fogo cruzado’ -, o empresário Armando Malaguty classificou a atitude do portal como sendo uma falta de respeito.

Ao mostrar o documento, Malaguty pediu para que o colega Jota Alves lesse a parte grifada no papel. O radialista se recusou a fazer a leitura. Ele justificou que é pago para ler, apenas, matérias de seu interesse e da emissora. Sensibilizado por também ter sido vítima um dia e ciente de que o vereador era inocente, o empresário João Rafael, dono das rádios Cultura AM e Rural AM, entrou no ar, já no final do programa, em solidariedade ao peemedebista.

Em off, durante conversa informal, o vereador Malaguty disse que ia adiante, na Justiça, contra, pelo menos, o Portal 25 Horas. Não se sabe, no entanto, até que ponto o parlamentar levará isso adiante: não pela crítica feita contra ele (vereador), mas pela condenação por parte do portal cuja publicação tinha uma finalidade: finalidade política.

Eu e o jornalista Antônio Santos aconselhamos o parlamentar a não levar o caso à Justiça, por entendermos que não vale a pena. Não vale a pena para um político tentar impedir a imprensa de fazer o seu trabalho. Não vale a pena obrigar um jornalista a retirar uma matéria do ar, simplesmente, por ela contrariar ou atrapalhar seus interesses. 

Para o político que se sentir atingido pela imprensa, a melhor alternativa não é tentar intimidar o jornalista o fazendo tirar do ar o que fora publicado como matéria ou artigo de opinião. O melhor é se cercar de todos os meios possíveis de defesa e do direito de resposta, e responder à altura, desconstruindo a crítica ou uma condenação indevida, com provas.

A imprensa é livre. Não existe democracia sem liberdade de expressão e sem liberdade de imprensa. A liberdade, contudo, tem limites: o de apurar e publicar uma notícia com a devida isenção, por exemplo. Condenar não é papel da imprensa - seja em matéria jornalística ou mesmo no pleno exercício da opinião que também pode ser isenta. #SintoniaFina #Política

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