Coluna do Eliabe: A morte como meio de vida para o Estado Islâmico

Por Eliabe Castor de Castro, jornalista Eu observei esse papel que estava em branco por longo...

Por Eliabe Castor de Castro, jornalista

Eu observei esse papel que estava em branco por longos minutos. Melhor dizendo: fitei uma tela digital com minhas retinas fustigadas até entrarem em completa exaustão. Reflexivo, tentei angustiado iniciar um texto, mas a complexidade dele e sua própria dureza bloquearam minha mente e coração por certo tempo.

Coração? Sim, coração! Pois, para mim, alguns assuntos devem ser tratados com clareza, humanizando a linha de raciocínio para que os escritos não tenham a frieza do Ártico. No caso em pauta, o tópico é a morte de inocentes. A morte vinda sobre o dorso de um cavalo chamado intolerância, cujo cavaleiro ergue, entre dedos coalhados de sangue um fuzil AK47.

Sim, ele transporta essa arma nefasta bradando para os quatro pontos cardeais a frase em árabe: Allaaah Hu Akbar!!! ou ” Deus é Maior!!!” Mas que deus é esse? Pergunto e respondo ao mesmo tempo: um deus criado pelos jihadistas radicais do Estado Islâmico. Um falso deus que promove, dia após dia, banhos de sangue no Iraque, Síria, Líbano e noutras regiões do Oriente Médio.

Um deus “proprietário” de respeitável aparato bélico. Um deus sem face e compaixão. Um deus concebido para satisfazer uma minoria sectária. Um deus que impõe sua política sanguinária para amedrontar centenas de milhares de pessoas. Um deus que colocou Paris prostrada no altar do terror, apagando o brilho da “Cidade Luz”.

Gritos, sangue, sons de sirenes, tiros, explosões e mortes de inocentes. Sim, disse que iria discorrer sobre esse doloroso assunto. Um assunto que apavora o mundo, a ponto de acontecer o imaginável: colocar, após o término da Segunda Guerra Mundial, russos, iranianos, europeus, norte-americanos, judeus e árabes numa só “Cruzada” para tentar barrar um inimigo comum chamado Estado Islâmico.

Um Estado em estado insano e perverso. Um Estado que ocupa parte do território iraquiano e da Síria e põe sob seu jugo dez milhões de muçulmanos. Um Estado que se vale da charia (direito islâmico) para torturar e matar os que não comungam com seus ideais. Um Estado que manipula a interpretação do Alcorão para justificar a chamada “guerra santa”. Um Estado que busca, pela força, cravar um califado sunita medieval, mesmo estando a humanidade na era espacial.

Pois é leitores! Disse que discorreria sobre a morte, e assim fiz, observando, enquanto digitava, que meus dedos estavam trêmulos e dançavam sobre o teclado. Dedos trêmulos e receosos. Dedos quase videntes. Dedos que anteveem uma crescente xenofobia contra muçulmanos pacíficos em todo mundo. Dedos em alerta, pois células terroristas vêm sendo descobertas em todo o mundo, não fugindo o Brasil dessa regra.

Diante de tudo que apresentei, peço, apenas, uma melhor reflexão sobre o assunto que também nos atinge. Para finalizar, uma observação e um apelo: não critiquem aqueles que colocam seus rostos nas redes sociais com as cores da bandeira da França. Antes de qualquer valor ou ideia pré-concebida, somos seres humanos e vivemos num mesmo planeta. Seja em Mariana, Paris ou Damasco, a dor da morte é a mesma.

Contato com o autor: eliabe.castor@hotmail.com

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#ColunaDoEliabe

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