Coluna do Eliabe: Eles não matam em nome da fé

Por Eliabe Castor, jornalista Antes de escrever bobagens, vou ler e tentar me inteirar o máxi...

Por Eliabe Castor, jornalista

Antes de escrever bobagens, vou ler e tentar me inteirar o máximo possível sobre o atentado na França e suas repercussões pelo mundo. Mas não precisa ser um Einstein para verificar que a crise no Oriente Médio se agravará ainda mais e o preconceito e a segregação para com os mulçumanos se exacerbará no Ocidente, o que é lamentável. Digo lamentável pois o Estado Islâmico, que assumiu a autoria dos atentados, não passa de um grupo de assassinos que utiliza preceitos de uma religião pacífica para justificar suas ações.

Para nós, ocidentais, fica difícil desanexar o terrorismo ao Islã. Mas um pouco de leitura ajuda a separar o joio do trigo. Podemos encontrar, no Alcorão, diversas passagens e versículos que pregam a paz. Uma das citações fala explicitamente: “Aquele que tira a vida de uma pessoa, é como se tivesse tirado a vida de toda a humanidade. E aquele que salva uma vida, é como se tivesse salvado toda a humanidade”. Importante lembrar que Jesus, para o Islã, é um dos mais importantes profetas, em adição a Noé, Abraão, Moisés e Muhammad.

Vale observar que as chamadas religiões irmãs, ou abraâmicas, são as religiões monoteístas cuja origem comum é reconhecida no profeta Abraão. As três principais religiões abraâmicas são, em ordem cronológica de fundação, o judaísmos, o cristianismo e o islamismo. Elas têm certas semelhanças. Todas são monoteístas e concebem Deus como uma figura de um criador transcendente e a fonte da lei moral, e as características de suas narrativas sagradas partilham muitos dos mesmos valores, histórias e lugares, embora muitas vezes apresente-os com diferentes funções, perspectivas e significados.

Infelizmente, por séculos, grupos desajustados dessas três denominações religiosas as usam como justificativa para atingir interesses obscuros. Foi assim com os cristãos, que assassinaram centenas de milhares de muçulmanos nas Cruzadas; judeus ultra-ortodoxos que pregam, por exemplo, a morte de árabes de forma aberta e, por sua vez, árabes desajustados criando grupos armados que deturpam o significado da Jihad.

Importante salientar que o termo Jihad em árabe significa “luta”, “esforço” ou empenho. Jihad é utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana. É também utilizado para indicar a luta pelo desenvolvimento espiritual.

Ao contrário do que muitas vezes é dito, jihad não significa uma guerra santa, implica mais uma luta interna com o objetivo de melhorar o próprio indivíduo ou o mundo à sua volta. Existem grupos extremistas que usam métodos violentos para transmitirem as suas ideias, mas esse não e o conceito original de jihad.

Para finalizar, como disse, vou buscar entender melhor a carnificina ocorrida na França, mais especificamente em Paris, e, assim, emitir uma opinião mais embasada. O texto que produzi não tem a intenção de uma análise da violência e, sim, dar luz ao conceito histórico de três religiões monoteístas, vindas de um único berço, mas que, ao longo dos séculos, fanáticos as deixaram antagônicas ou quase isso.

Contato com o autor: eliabe.castor@hotmail.com

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