O novo apocalipse e os deuses e demônios

Por Eliabe Castor, jornalista A tarde já morria no coração pulsante de um sol débil e a lua, ...

Por Eliabe Castor, jornalista

A tarde já morria no coração pulsante de um sol débil e a lua, cada vez mais forte, sorria no firmamento. Uma lua linda regida por São Jorge e cometas errantes; enquanto o crepúsculo corria em direção à ostra para que o vento soprasse com vigor as velas pandas e brandas de Fernando Pessoa. Velas silenciosas que bailavam em um mar manso como a rede Caymmi.

Velas infladas por humildes pescadores e pecadores que seguiam, em barcos precários, uma procissão profana com a fé voltada para deuses e demônios numa terra castigada pelo sol. Uma terra implacável cujo dragão da maldade sempre cuspia labaredas e emitia línguas de fogo no solo árido dos sertanejos de Canudos. Dos Sertões de Euclides e Conselheiro.

Naquela tarde, quase noite, era dia de São José. Todos esperavam pela chuva, mas ela, em sinal de luto, não veio. O que se viu foram anjos caídos naquela terra rachada pelo sol e nada mais. Esperanças desfeitas enquanto a transposição atrasada do velho Chico vinha reclamar suas almas famintas.

Além das montanhas uma pá de cal derradeira chegava. Ela marchava numa comoção maior que a de Pompeia. À frente, quatro cavalos reluzentes transportavam o Apocalipse. O cheiro nauseante da morte estava em todas as direções.

Sem dó, veio a guerra da terra arrasada propiciada por Cavaleiros coloridos. Era, sem dúvidas, o armagedon. O primeiro ato de beligerância foi cortar o tamarineiro plantado por Augustos e Anjos. Árvore frondosa que emitia a sombra necessária para pescadores e agricultores. Já não era possível multiplicar peixes em Canaã ou em qualquer parte. Não existia leite e mel na mesa dos justos. Apenas a miséria da humanidade e uma ponta de amor que a salvava dela mesma.

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