Coluna do Eliabe: A morte de um tenente e o descaso com a segurança pública na Paraíba

Por Eliabe Castor, jornalista  A vida nos dá e retira muitas coisas. Uma delas são promessas,...

Por Eliabe Castor, jornalista 

A vida nos dá e retira muitas coisas. Uma delas são promessas, como a que realizei certo dia, dizendo a minha sombra que não iria escrever sobre política por um bom tempo. Mas não adianta. Uma vez ou outra sou obrigado a quebrar esse pacto, e hoje falo do assassinato do tenente da Polícia Militar, Ulysses Costa, morto por bandidos na noite de quinta-feira (04), no bairro de Mangabeira, enquanto fazia um trabalho de investigação.

O leitor deve estar a se perguntar onde entra a política nesse caso. E respondo de pronto: encontra-se no tratamento quase banal que o governador do Estado, Ricardo Coutinho, dá em relação ao baixo efetivo das polícias Civil e Militar. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social da Paraíba, e do próprio titular da pasta, Cláudio Lima, há um déficit na corporação da Polícia Militar que chega próximo a dez mil homens.

Já na Polícia Civil, de acordo com o Sindicato da categoria, os números estão na casa de 7 a 8 mil policiais. Bom, relatado o registro, mais uma vez o leitor pode perguntar: “Sim, mas o que isso tem a ver com a morte do tenente e a política?”. Ele pergunta e eu respondo: tudo! Sim, tudo, pois hoje a Paraíba vive um estado de caos. A violência se propaga em todo o Estado e a outrora pacata João Pessoa é considerada a quinta capital mais violenta do país.

Os números foram divulgados no 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em outubro de 2015. Então, caros leitores, não estou politizando o texto ou jogando sangue nele, mas, apenas, mostrando que a insegurança está diretamente relacionada entre a equação de leis brandas para os criminosos, cuja reformulação é de responsabilidade do Governo Federal, e o baixo efetivo das nossas polícias, estando o Estado paraibano – Leia-se o chefe do Executivo, como responsável direto.

Faz-se importante analisar que a comoção exposta na mídia está em decorrência de um profissional treinado para combater o crime e que acabou tendo a vida ceifada por bandidos. Mas vale o registro que todos os dias civis também morrem, como a funcionária de um call center morta, no mês passado, enquanto saia do seu trabalho. Ela foi vítima de bala perdida.

Devemos lembrar, também, do policial militar Sandro Pereira da Silva, morto por bandidos no mês de janeiro, quando sua unidade entrou em confronto com bandidos que assaltaram um ônibus no bairro do Geisel, em João Pessoa. Diante de tudo exposto, penso, eu, que, caso nosso efetivo de policiais estivesse com seus números regulares, a criminalidade seria menor. Trata-se de um silogismo ou lógica perfeita. Mais policiais nas ruas, logo, menos bandidos praticando delitos.

Governador desconhece lei

Em declaração à imprensa paraibana, Ricardo Coutinho demonstrou que desconhece a lei. Ele chegou a dizer, em determinados sites e blogs que: “Assassinato de policiais precisa ser tratado como crime hediondo. É preciso ser duro com aqueles que matam os que dão a vida protegendo o povo”.

O problema, ou solução, é que desde o dia sete de julho de 2015 entrou em vigor “Lei 13.142, que torna crime hediondo e qualificado o assassinato de policiais no exercício da função ou em decorrência dela. A norma abarca as carreiras de policiais civis, rodoviários, federais, militares, assim como bombeiros, integrantes das Forças Armadas, da Força Nacional de Segurança Pública e do Sistema Prisional”.

Por fim, os policiais militares que estão sendo incorporados nas polícias Militar e Civil vêm de concursos passados realizados nas gestões dos ex-governadores José Maranhão e Cássio Cunha Lima. Detalhe: foi preciso liminar da Justiça para que esses homens e mulheres tivessem seus direitos garantidos. E segue a fila de espera...

Eliabe Castor de Castro

Para finalizar, leia uma fala do governador Ricardo Coutinho na campanha ao governo de 2010 e que foi repetida do pleito de 2014. Observe e veja o que foi cumprido ou não na segurança pública do Estado. (Fonte - Blog do Carlos Magno)

Veja a fala na íntegra:

“Eu quero não só pagar melhores salários para exigir mais. Eu acho que cada um de nós, servidores públicos, e eu sou servidor público também, nós precisamos ser exigidos, agora, é preciso que a gene tenha uma melhor condição. Os policiais, para fazer frente a essa onda de violência, que culminou ontem com o fato de mais um banco ser assaltado, dessa vez em Sapé, e com um detalhe, os assaltantes que usaram dinamite fugiram num carro da polícia e levaram dois policiais como reféns. Ou seja, chegamos ao limite, chegamos ao fundo do poço. E sabe porque? Porque o Estado, o atual e só quer saber das próximas eleições, do dia 3 de outubro. E pra isso estão inviabilizando o Estado, estão gastando fortunas com coisas que não tem absolutamente nada a ver para a população e, ao mesmo tempo, para as políticas públicas não sobra absolutamente nada. Eu acho que nós temos que combinar salários melhores, estratégias maiores e melhores de formatação dessas políticas públicas e ao mesmo tempo garantir um choque de tranquilidade não tem pra onde,m tem que fazer isso e eu vou fazer isso como governador, chamando para mim a responsabilidade. Eu não vou me esconder atrás de secretário, disso ou daquilo não, a responsabilidade é minha, enquanto governante. Sendo governador, em seis meses esses índices alarmantes e impressionantes de assaltos a bancos, assaltos a ônibus, homicídios, isso vai ter que baixar e vai baixar. Eu vou conduzir pessoalmente isso, junto com o secretário, eu quero estar à frente disso, para poder resgatar e devolver à população a tranquilidade necessária. Do jeito que está ninguém aguenta, amigo”.

Em outra oportunidade em que Ricardo Coutinho falou sobre Segurança Pública em seu guia eleitoral, Ricardo prometeu até câmeras de segurança nos pontos mais críticos da Paraíba. E prometeu também premiar os policiais por produtividade. Até agora, nada. Veja:

“A política de segurança da nova Paraíba que vamos construir começa pela valorização do policial, salários dignos para a PM e para a Polícia Civil. Vamos apoiar a aprovação, no Congresso Nacional, da PEC 300, que fixa um piso nacional para o policial. Abriremos novos concursos para a PM e para a Polícia Civil. E todos os atuais concursados serão chamados. Vamos criar uma polícia de fronteiras, para acabar com a farra da bandidagem, que sai dos estados onde tem segurança e vem para a Paraíba, onde não são incomodados. No atual governo, o sistema de segurança pública não utiliza, como deveria, a tecnologia como instrumento fundamental para o trabalho dos policiais e a tranquilidade das pessoas. Por exemplo: a Prefeitura da capital tem mais câmeras de segurança de que todo o estado. Vamos instalar câmeras de vídeo para proteger a sociedade 24 horas por dia. Fiz na Prefeitura, vou fazer no Estado. Vamos criar a Polícia Cidadã. Quero estabelecer a articulação das ações envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e até a Polícia federal. Hoje é cada um por si. No nosso governo trabalharão integrados, para gerar mais proteção à sociedade. No nosso governo, pretendo estabelecer um sistema de metas de redução dos índices de criminalidade e violência em todo o estado e, dessa forma, premiarei o empenho dos policiais. É o pagamento da produtividade no trabalho policial. Atualmente, o cidadão de bem, o trabalhador, o jovem, é que ficam presos em casa, cercados de grades. Os bandidos ficam nas ruas, soltos e livres, sem serem incomodados, Essa situação vai acabar. Vamos dar um choque de tranquilidade no Estado. A Paraíba vai avançar 40 anos em 4. E sua vida vai ficar mais segura e melhor”.

Mais adiante, parece que Ricardo Coutinho está falando do próprio governo. Mas não, era crítica pura e simples daquela época, com a promessa de resolver tudo. Veja:


“Polícia sem balas, viaturas quebradas, delegacias sem delegados. Não é à toa que os índices de criminalidade na Paraíba só crescem. O descaso é total. É preciso ter pulso firme. Olhe à nossa volta, Pernambuco implantou, com grande sucesso, um programa de segurança chamado Pacto pela Vida. O Rio Grande do Norte conseguiu reduzir significativamente os índices de criminalidade. E com a vida dos bandidos dificultada por lá, eles correm para onde tudo é mais fácil, para o nosso estado. Mas, no meu governo, isso vai acabar. Vou colocar a polícia na rua, mas também vou levar educação, cultura, esporte e lazer para as áreas mais críticas. Vou também articular as ações das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros, integrando a Paraíba ao Sistema Único de Segurança Pública, o que ai viabilizar a vinda de recursos federais. Lugar de polícia é nas ruas. Hoje a Paraíba precisa de, no mínimo, 5 mil novos policiais. Vou contratar imediatamente os concursados e fazer novos concursos. Muitos crimes são evitados ou resolvidos através de imagens gravadas por câmeras de vídeo. Por isso, vou mapear as áreas de ocorrências e instalar câmeras para ficar 24 horas protegendo a sociedade. A polícia precisa estar próxima das comunidades. Inclusive para conhecer os cidadãos e torná-los parceiros na consolidação da segurança pública. Assim, daremos um grande salto na segurança, que a Paraíba tanto precisa”. #ColunaDoEliabe #Sociedade #Política

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Você pode acompanhar os textos, contos, poemas do Eliabe Castor de Castro nos seguintes sites e blogs: http://simoneduarte.com.br/ (Campina Grande)http://www.vitrinepolitica.com/ (João Pessoa)

Contato com o autor: eliabe.castor@hotmail.com

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