A agonia de um ser divino

Por Eliabe Castor, jornalista As mãos trêmulas indicam nervosismo, e seu olhar disperso no al...

Por Eliabe Castor, jornalista

As mãos trêmulas indicam nervosismo, e seu olhar disperso no além mostra uma angústia típica dos que estão em pleno desespero. Pensa e emite sons diários de dor. Uma forte dor que se dissipa pelo vento, levando para os mais distantes rincões exclamações de dúvidas e incertezas. Sim, aquela mulher não é a mesma, talvez por ter sido fustigada à exaustão. O açoite que a infringiram foi forte por demais, tornado e moldando seu cérebro em massa encefálica desconfiada e quase incapaz.

Muitos tentam ajudá-la, oferecendo gritos de guerra sobre o asfalto, e formando imensos paredões de socorro para um ser que agoniza e definha aos poucos. No seu ápice de embriaguez sentimental surgem médicos, jornalistas, professores, estudantes e um sem fim de profissionais que buscam, freneticamente, reavivá-la, sem ter esperanças em curto prazo de restabelecer o fator emocional da jovem enferma. É uma visão triste, quase dantesca por assim dizer.

Um cenário perfeitamente dantesco do ponto de vista humano, como pedaços de corpos a apodrecer sob o forte calor dos que estão à mercê do fisiologismo venal, antiético e inescrupuloso. Ao longe, sentado numa cadeira com braços adornados de marfim e pedras preciosas, alguém sente prazer por estar ganhando com o caos instalado numa alma combalida, cujas orações não chegam a ela por um simples fato: a pobre mulher está quase acéfala.

Especialistas chegam de todas as partes para estudar o fenômeno, pois na medicina convencional ou alternativa não há registro sobre o “tal mal”. Acupuntura e antibióticos são ministrados a cada minuto. Tudo o que as ciências humanas e exatas oferecem estão sendo utilizados no propósito de reverter o caso, mas a mulher, de nome República, não dá sinais de melhora.

Pobre moça. Como Policarpo Quaresma, parece ter nascido em local inapropriado desde a sua ascensão após levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889. Durante seu curto período de “nascença”, talvez quem mais chegou próximo à receita “curativa” foi Augusto dos Anjos, dando-lhe a solução: “Escarra nessa boca que te beija”.

Sim, muitas vezes é necessário um tratamento de choque. Então, bela jovem, levante-se! Assegure o seu papel na história; busque forças na sua prima Democracia e vá de encontro ao mais próximo porto seguro. Lá, um marujo de prenome Brasil espera sua pessoa de forma ansiosa. Junte-se a eles para que sejam paridos melhores dias. Dias melhores virão, torcem os que gostam e precisam de ti.

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Contato com o autor: eliabe.castor@hotmail.com

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