Imagens do Golpe: A Direita tem passe livre dentro do Neoliberalismo

Por Belarmino Mariano Depois do encontro de ontem (12/03/2016), com um grande número de PMDBi...

Por Belarmino Mariano

Depois do encontro de ontem (12/03/2016), com um grande número de PMDBistas de direita e extrema direita, ficou bem claro que o partido não esta satisfeito com a Vice-Presidência (Temer) Presidência da Câmara (Cunha), Presidência do Senado (Renan Calheiro). Não estão satisfeitos com os sete ministérios, inclusive os mais importantes. O Golpe de Direita hoje é orquestrado por pelo menos três grandes partidos (PSDB, PMDB, DEM) além de uma grande ala do PSB e uma fileira de partidos nanicos a serviço de políticas conservadoras e antidemocráticas.

Luiza Erundina e Roberto Amaral saíram do PSB, exatamente pelo completo desvio ideológico do partido. Erundina veio para o PSOL, mantendo sua posição de esquerda democrática. Veja o que disse o companheiro e histórico re-fundador do PSB, Roberto Amaral: "decaído ideologicamente, o PSB se alia aos projeto elitista, agora também golpista, que sempre combatera (...). "O Partido que ajudei a refundar-se em 1985 era o PSB herdeiro da Esquerda Democrática, fundado em 1947 por João Mangabeira para empunhar a bandeira do socialismo com liberdade" (Revista Carta Capital, 10/03/2012).

Enquanto vemos coerência de alguns como Amaral e Erundina (Ex-PSB), por outro lado, vemos pessoas como João Agripino (DEM), Ronaldo Caiado (DEM), Jair Bolsonaro (PP), falando em ética na política é no mínimo estranho. Vale registrar que não é todo o PMDB que defende esse jogo, pois seria injusto generalizar, diante de um partido marcado por centenas de contradições dos que ascendem ao poder na esfera majoritária do partido. Mas o trio Temer, Cunha e Renan não é flor que se cheire, pois vivem flertando diretamente com os figurões do PSDB, DEM, PP e outros.

Temer, Cunha e Calheiro poderão entrar para a história recente do Brasil como os três traidores nacionais. O primeiro por pura vaidade e inveja, pois sabe que no máximo morrerá vice; os outros dois por vaidade e corrupção, pois estão confirmados como por dentro dos esquemas tipo Operação Lava-Jato. Com eles uma reca de deputados e senadores, ministros, secretários gerais, entre outros. O golpe esta pronto, traição é a moeda que unifica os três. Aécio, FHC, Serra, Agripino, Bolsonaro, Caiado e outros estão "como urubus na carniça", para colocar o país ainda mais nas profundezas da crise, pois só assim ganham relevância novamente.

"O PMDB acaba de ganhar um grande incentivo para embarcar de vez no golpe capitaneado por PSDB e DEM contra a presidente Dilma Rousseff: se o Congresso resolver aprovar o processo de impeachment contra Dilma, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve encerrar o processo que corre na corte pedindo cassação do mandato contra a chapa Dilma-Temer" (http://www.brasil247.com/pt/247/poder/220830/TSE-pode-anular-processo-contra-Temer-se-golpe-der-certo.htt).

Podemos falar sobre geoestratégias para o golpe que se delineia. Esse é um golpe de Direita, articulado pelas elites nacionais no poder, de interesse direto para o grande capital, que controla a grande mídia e aquece os tambores para uma violenta exploração dos trabalhadores do Brasil e do mundo. A lógica será de arrocho salarial, crise controlada por dependência econômica e financeira, tanto dos estados, quanto das pessoas, fragmentadas em suas dívidas bancárias, facilitadas em seus cartões de créditos. Homens corruptos e sem vibra ética moral nos empurram para uma crise política que se agrava com a crise energética, a crise de superabastecimento e aumento da concentração de riquezas nas mãos das elites dominantes.

Quando digo homens sem fibra ética e moral, não me refiro a qualquer homem. Expresso aqui, pelo menos três em cada um desses grandes partidos, pelo menos três em cada um do poder legislativo federal, executivo e judiciário; pelo menos três nas grandes corporações econômicas. Assim temos uma quartel de pelo menos uma centena de grandes líderes nacionais, que tramam esse golpe. Não se trata de um golpe contra uma mulher chamada Dilma Rousseff (PT) e um ex-presidente que veio da classe operária e sindical. O golpe ao qual nos referimos é contra a Democracia, aquela que nos inspira ao ideal de liberdade e de respeito ao povo.

O Brasil que em quase 500 anos sempre foi governado pelas elites dominantes, e quando uma outra ideologia diferente do que defende as elites, se aproximou do poder central, as elites tramaram golpes e se colocaram em marcha para esse tipo de artificio autoritário e covarde. Logo para o Brasil e sua economia pujante e suas grandes riquezas nacionais, incluídas aí a riqueza cultural do povo.

O país que havia começado ainda de maneira muito tímida a distribuição de rendas e combate a pobreza, começou a incomodar muito cedo as elites dominantes, e o grande capital, com selo midiático já avaliou que vale a pena dar um golpe de direita, pois a passividade do povo e a corriola de políticos corruptos, ajuda na retomada do programa neoliberal brasileiro, muito bem representado pelos tucanos (PSDB), democratas (DEM) seus partidos nanicos e forte ala PMDBista, representada hoje por figuras corruptas como o Cunha e seus pupilos.

A geopolítica e a geoestratégia dos mega-blocos econômicos aponta para países como o Brasil, um cenário positivo de controle da direita aos moldes de quase toda a velha Europa e  os Estados Unidos da América, pois o Brasil é rico em recursos naturais, recursos de solo e água (energéticos/petroquímicos), mão-de-obra qualificada e semi-qualificada de baixo preço, além de uma máquina estatal estratégica que precisa ser desmontada em nome de programas neoliberais de privatização generalizada.

Não estamos aqui querendo diminuir os erros políticos históricos que o PT vem cometendo desde a primeira eleição do Presidente Lula, em que o partido optou em se aliar com alas conservadoras do PMDB e outros, para chegar ao poder a qualquer custo. O que temos é um acumulo de perdas progressivas, pois o que havíamos consolidado nas lutas, tivemos que abrir mão, pois a esquerda brasileira que tinha como referência o Partido dos Trabalhadores, teve que reconstruir novos arranjos políticos de resgate das bandeiras de luta  dos trabalhadores.

O PSOL, PSTU, PCB, PCO, PCR e até certo ponto o PCdoB, além de dezenas de tendências de esquerdas que continuaram lutando por dentro do PT, mas na maioria das vezes foram isoladas pela direção nacional do PT. Esses partidos e tendências de esquerda ainda não conseguiu reunir força e unidade para dar vasão aos anseios dos movimentos sociais, seja na cidade ou no campo. Agora, muito mais do que nunca, percebemos os avanços sombrios de grupos conservadores e de extrema-direita em bancadas corruptas e defensoras de interesses das elites dominantes, não importando mais se são elites dominantes nacionais ou estrangeiras.

Não podemos mais esperar, chegou a hora de apresentarmos um Partido Socialista que unifique todos os partidos e tendências, como alternativa política, capaz de apresentar um Plano B, anti-capitalista e em defesa incondicional ao proletariado. O PSOL vem levantando essa bandeira de unidade de esquerda desde antes das grandes manifestações de junho de 2013. Os movimentos sociais refreados pelas centrais sindicais lideradas pelo PT, O movimento Estudantil e de Juventude, refreado pelo PT e aliados do campo de esquerda, precisam perceber o erro político dos seus dirigentes e partirem para uma reação organizada de contraofensiva ao conservadorismo de direita.

Os dirigentes nacionais dos partidos de esquerda e as forças de esquerda ainda remanescentes em diferentes ambientes de nossa sociedade, precisam se reunir com URGÊNCIA!, deixem as diferenças de lado, pois do contrário viveremos uma ditadura midiática, alienante e burrificante das novas e velhas gerações (papagaios midiotas). Nesse momento já estamos vivendo uma alienação religiosa comandada por alguns políticos corruptos que em nome de Deus, exploram os pobres de espírito e de consciência, através de uma mídia que alimenta mentiras e cenários conservadores.

Quando afirmamos que a direita tem passe livre por dentro do neoliberalismo, basta observar que o tucano mor do Brasil, desfruta na Europa dos louros extraídos dos seus oito anos a frente do palácio da redenção, oito anos de entrega da economia nacional para as multinacionais, pois FHC, se mantêm imune em um grande apartamento no centro de Paris.

HC deu continuidade as ações de Collor, privatizando setores de telecomunicações, energético, siderúrgico, entre outros. Agora querem voltar para PRIVATIZAR e cumprir o que ainda faltou, tipo Banco do Brasil, BNDS, Caixa Econômica, BNB, Petrobrás, Universidades Federais e Estaduais, Recursos Hídricos e a nossa biodiversidade que poderá ficar diretamente disponível aos grandes laboratórios transnacionais e multinacionais.

Luis Nassif e Patricia Faermann fizeram uma excelente analogia em relação a esses movimentos de direita que ocorre no Brasil e a "Primavera Árabe". Escolheram o cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira,para entrevistá-lo e ficou demonstrado que as elites nacionais no poder, querem dominar tudo, para isso tentam criar um artifício midiático semelhante ao que aconteceu em 2011, em que as massas se organizaram pelas redes sociais contra presidentes ditatoriais do Oriente Médio e Norte da África, só que no caso do Brasil, inverteram a pauta. Pois no mundo árabe tínhamos ditaduras e no Brasil prevalece a democracia, com eleições diretas e por três mandatos, a direita conservadora e neoliberal perdeu o comando da presidência do país e a poderosa máquina estatal brasileira.

A Professora de Teoria da Comunicação (UFPB) e Jornalista Joana Belarmino, manifestou através do seu blog Barrados no Braille (14/03/2016) que a mídia burguesa tentou construir uma fabulação jurídico-política que desse conta de manobrar as massas em prol de sua ideologia de direita, mas parece que o tiro saiu pela culatra, pois figuras do PSDB, DEM e até do PMDB, como Aécio, Serra, Alkmim e Marta Suplicyr, foram vaiadados e xingados na manifestação da Avenida Paulista/SP. Assim nos disse Joana:

"A voz das ruas encheu de espanto e perplexidade, os políticos, os juristas, e à própria mídia, que permanentemente teve de retificar imagens, desligar microfones e omitir notícias que entretanto pipocavam estrondosamente nas redes sociais e na blogosfera. (...) A voz do domingo já elegeu seus líderes políticos: Abraçou-se a Jair Bolsonaro e fez louvação, em camisetas e cartazes, ao juiz Sérgio Moro. (...) Para os políticos que apostavam nas manifestações como o pavimento para o impeachment, resta um breve recuo, o pesar e medir da situação, a adoção de novas estratégias. A mídia, por sua vez, prosseguirá na sua fabulação suicida, à espera de que um imponderável aconteça, e assim ela possa investir todo o seu capital técnico manipulatório na derrocada final do governo petista. (...) Estará a mídia privada trabalhando na construção de um “caçador de corruptos”, tal como fez nos anos oitenta, ao colocar no topo da política brasileira, “o caçador de marajás”?"

Agora temos pessoas de extrema direita, saindo as ruas e pedindo a volta da ditadura militar. Estamos vendo lideranças corruptas indo as ruas e/ou usando o parlamento para cobrar ética na política. Estão de brincadeira com os nossos direitos políticos, estão querendo criar um clima de revanchismo, que beira ao fascismo de meados do século XX.

Em países como o Brasil, que vive uma frágil e limitada experiência de democracia política com economia predominantemente controlada por forças estrangeiras, além de grande pobreza social, uma classe política predominantemente conservadora, elitista e corrupta, com partidos predominantemente fisiologistas, caminha para submissão, entrega e capitulação ao capital internacional, sacrificando a soberania nacional e os interesses sociais de autonomia e liberdade.

Os principais articuladores do PMDB nacional, que sempre estiveram ocupando cargos estratégicos em todos os governos das três ultimas décadas, com grande dominação e responsabilidade perante a crise atual e o governo que ajudou a construir em parceria com o PT e outros  partidos aliados é o mesmo PMDB que agora, tenta se safar da corresponsabilidade de operações como a Lava-Jato e ainda continuar, migrando para uma nova base declaradamente de direita, conduzida pelo PSDB/DEM/PP e muitos outros partidos médios e nanicos. Esse jogo sujo, dissimulado e golpista precisa ser denunciado por todos os meios possíveis.
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#Política

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