Paulo Henrique Amorim: "Globo sequestrou a justiça"

Por Jana Sá (de Natal) via Portal Vermelho em 29/02/2016 Estudantes de comunicação, profissi...

Por Jana Sá (de Natal) via Portal Vermelho em 29/02/2016

Estudantes de comunicação, profissionais da mídia, políticos, docentes, lideranças dos movimentos sociais e sindicais e a sociedade civil lotaram o auditório Onofre Lopes, na Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para debater a conjuntura política que o país vivencia, as facetas pouco conhecidas dos meios de comunicação no Brasil e a intervenção da mídia no processo político.

Aguçado, Paulo Henrique Amorim iniciou a palestra classificando a decretação da prisão de João Santana como um “episódio dramático” que o país está assistindo. Ao dizer que concede ao jornalista a presunção da inocência, Amorim afirmou que um dos aspectos mais terríveis do duplo poder dos meios de comunicação se manifesta nos procedimentos midiáticos de produção da culpa e condenação sumária dos indivíduos, por meio da suspeição, que pressupõe a presunção de culpa. “Para mim, até que fique provado e mais que provado, garantido o direito de defesa, João Santana é um homem inocente”, afirmou.

Contudo, para o jornalista, a justiça brasileira hoje é refém do que dirá o Jornal Nacional e juízes de todo Brasil decidem com medo da Rede Globo. “Vamos falar claro, a lava jato é conduzida pela Globo, pela sanção, divulgação e projeção que a Globo dá a determinado acontecimento. Hoje, ninguém aqui nessa sala e em nenhum canto do Brasil pode garantir que amanhã pela manhã não será acordado com a decretação de prisão baseada na delação de um criminoso. Porque ninguém aqui merece a presunção de inocência”.

Paulo Henrique lembrou aos presentes que só nos regimes totalitários a Polícia não tem chefe. “Polícia sem chefe é coisa de ditadura. Numa democracia a Policia Federal não tem autonomia. Tem autonomia funcional, mas não tem autonomia política. Neste governo da Dilma, a Polícia Federal tem autonomia política e governa o país com o juiz Mouro e com procuradores que também não dão satisfação a ninguém. Ninguém é inocente no Brasil. Ninguém está livre do julgamento parcial, provisório, porém definitivo do juiz Sérgio Moro e do jornalista Ali Kamel que dirige a rede globo de televisão. Eles dois mandam”.

Ao fazer uma análise da conjuntura política do país, Paulo Henrique Amorim recomendou aos presentes a leitura de um dos maiores pensadores vivos, como classificou o potiguar Jessé de Souza, “autor do livro dos batalhadores que ascenderam à classe média depois dos programas de inclusão social do governo Lula”, onde trata da tolice do pensamento brasileiro.

Indiscutivelmente um defensor de ideais de liberdade de expressão e democratização da informação, Paulo Henrique Amorim atribuiu a Lula e Dilma a culpa pelo fato da cobertura tendenciosa feita por parte da mídia, por não terem feito o enfrentamento ao Partido da Imprensa Golpista (PIG).

“O PT não conseguiu criar uma linguagem , uma alternativa, um discurso diferente para enfrentar o do Moro e do Ali Kamel. O Congresso não basta. Os blogs não bastam. Tem uma corrente de pensamento hegemônica que é incontrastável, e que não mereceu dos governos petistas nenhuma articulação para se firmar e consolidar para poder enfrentar essa avalanche antidemocrática”.

O jornalista afirmou ser preciso ter coragem em diagnosticar que vivemos hoje no Brasil em um regime de perseguição política, “de caça as bruxas”, comparável ao que houve no regime militar. Para ele, é necessário mostrar com toda clareza aos movimentos sindicais, dos petroleiros, que além da Petrobras é preciso defender a Democracia. “Defender a Democracia é a presunção de inocência”. Para ele, o Zé Dirceu está preso porque não pode ser solto, para que a Justiça de Curitiba não seja desmoralizada.

Ao falar sobre a recente investigação ao ex-presidente Lula, Paulo Henrique Amorim avaliou que o objetivo central da operação Lava Jato é a prisão dele. “De preferência, humilhando o Lula, algemando-o a tempo de pegar o Jornal Nacional. Este parece ser o caminho inevitável da Lava Jato”.

O jornalista falou sobre a sua mais recente obra, o livro “O quarto poder – uma outra história”, onde ele tenta responder como foi possível que o aparelho de Estado brasileiro, através da mídia, se deixasse apropriar por “uma elite tão predadora”.

Fruto de quatro anos de trabalho, Paulo Henrique Amorim explica como surgiu e desenvolveu a ideia de escrever o livro, que inicialmente tinha a pretensão de tratar apenas da instalação e desenvolvimento da televisão comercial no Brasil.

Durante a explanação, Paulo Henrique Amorim abordou os bastidores de momentos da história contemporânea brasileira e de meio século de mudanças na mídia nacional, fazendo uma análise do papel da imprensa nas coberturas de fatos que marcaram a história do país.

Ao final da exposição, Paulo Henrique Amorim respondeu algumas das perguntas encaminhadas à mesa e fez uma sessão de autógrafos. O livros comercializados no local tiveram as vendas esgotadas antes mesmo do início da palestra.

Na Trilha da Democracia

O evento integra o ciclo de palestras “Na Trilha da Democracia” que o ADURN-Sindicato, Sindipetro-RN e a Frente Brasil Popular promoverá ao longo deste ano, em parceria com outros sindicatos e movimentos sociais. A expectativa é de que a iniciativa promova a discussão de caminhos para continuar a trilha da democracia, da tolerância, do respeito às diferenças, da convivência democrática e solidária.

O jornalista Paulo Henrique Amorim, nasceu no Rio de Janeiro e é formado em Sociologia e Política. Foi o pioneiro em quase todos os projetos em que esteve à frente: primeiro correspondente da Veja em Nova York abriu o escritório da Globo, na Big Apple iniciou as coberturas em tempo real para WebTV, no antigo ZAZ.

Sua primeira cobertura foi do levante gaúcho, em 1961, quando o presidente Jânio Quadros renunciou e o então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, mobilizou soldados e jornalistas para garantir a posse do vice, João Goulart.

Paulo Henrique Amorim pode se confessar como parte do cenário jornalístico brasileiro, embora tenha passado boa parte de sua carreira como correspondente internacional nos Estados Unidos. E foi na América que construiu toda noção de jornalismo em que acredita.

Paulo Henrique Amorim aprendeu a escrever fazendo jornal com seu pai, também jornalista. Na Record apresentou o Edição de Notícias, o Tudo a Ver e atualmente apresenta o Domingo Espetacular. Também escreveu o livro Plim Plim - A Peleja de Brizola Contra a Fraude Eleitoral. 



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#Política 

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