Pesquisadores descobrem anticorpos que ‘neutralizam’ o zika

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Pesquisadores europeus anunciaram que encontraram anticorpos capazes de “neutralizar” o zika vírus. A descoberta, publicada nesta quinta-feira na revista científica Nature, abre caminho para o desenvolvimento de uma vacina contra esse patógeno que está relacionado a uma série de problemas de saúde.

Cientistas do Instituto Pasteur de Paris, do Centro Nacional para a Pesquisa Científica (CNRS) da França e da Imperial College London, na Inglaterra, que já estudavam os anticorpos capazes de combater a dengue, passaram a analisar estes anticorpos para o zika vírus. Em laboratório, eles selecionaram dois anticorpos EDE capazes de deter a dengue e descobriram que um deles era particularmente eficaz para neutralizar o zika em células humanas.

A partir daí, com diversas técnicas, os cientistas conseguiram reconstituir o local preciso onde este anticorpo se fixa sobre a proteína que envolve o zika vírus e descobriram que o local de fixação era o mesmo do vírus da dengue. “Esta descoberta permite trabalhar na produção de uma vacina de proteção contra todos os vírus do grupo”, afirmam os pesquisadores no estudo.

A descoberta coincide com outro estudo que sugere que a recente explosão de casos de zika vírus na América Latina pode ter sido favorecida por uma pré-exposição destas populações à dengue. O estudo, realizado por pesquisadores do Imperial College London, do Instituto Pasteur de Paris, e da Universidade Mahidol de Bangkok, Na Tailândia e também publicado nesta quinta-feira na Nature Immunology, revela que a maioria dos anticorpos produzidos por pessoas infectadas pela dengue podem aumentar a potência do zika.

Isso acontece por causa das similaridades dos vírus (ambos são da família dos flavivírus) e assim como no caso de quem pega dengue pela segunda vez – o risco de dengue hemorrágica na segunda infecção é sempre maior do que na primeira -, uma exposição anterior ao vírus da dengue pode acentuar a infecção pelo zika. “Este pode ser o motivo pelo qual o surto atual é tão severo, e porque ele aconteceu em áreas onde a dengue é prevalente”, disse Gavin Screaton, da Imperial College London e um dos autores do estudo.

Segundo ele, a descoberta mostra a importância de uma futura vacina contra o zika utilizar os anticorpos corretos. No entanto, ressalta o pesquisador, ainda há muito trabalho por diante, como a realização de uma pesquisa clínica, que pode levar muito tempo.

Para Jeremy Farrar, diretor da organização britânica Wellcome Trust, que apoiou financeiramente ambos os estudos, ainda “há mais perguntas que respostas” sobre o zika e o grupo de vírus que inclui a dengue. Resta saber, por exemplo, porque o vírus da zika no sudeste asiático e na África, onde está presente há muito tempo, não se desenvolveu da mesma forma que na América do Sul.

Até o momento não existe nenhuma vacina contra o zika, ao contrário da dengue, que já dispõe de uma vacina desenvolvida pelo laboratório francês Sanofi. Em relação à possibilidade do uso dessa vacina para combater o zika, Rey afirma que ela “teria que ser modificada para poder ser utilizada contra o vírus”.
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