Dom Aldo renuncia alegando retaliações por conta de suas posições políticas: “Não sou de ficar em cima do muro”

Do Blog do Helder Moura Quando chegou à Paraíba, Dom Aldo Pagotto tentou impor um estilo próp...

Do Blog do Helder Moura

Quando chegou à Paraíba, Dom Aldo Pagotto tentou impor um estilo próprio, como realização de celebrações sem atraso e a proibição de padres ingressarem na política, mas, polêmico, terminou também tendo uma militância política contestada, inclusive com participação em guias eleitorais e, mais recentemente, eventos comandados pelo governador Ricardo Coutinho.

Sua atuação passou a ser muito criticada por outros prelados. De um lado e de outro. Como se sabe, Aldo participou de passeatas pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff e irritou vivamente o deputado Luiz Couto. E a verdade é que após desagradar a tantos, Dom Aldo não resistiu, resolveu renunciar e deixou a Arquidiocese da Paraíba.

Segundo informe da Pastoral da Comunicação diocesana. Dom Aldo di Cillo Pagotto apresentou carta renúncia, que já foi aceita pela Congregação para os Bispos, e, ato contínuo, o Papa Francisco nomeou Dom Genival Saraiva de França como Administrador Apostólico da Arquidiocese até um novo arcebispo ser nomeado.

Carta renúncia – Em sua carta renúncia, Pagotto admite ter tomado decisões enérgicas, para “reorganização da administração, finanças e recuperação do patrimônio da Arquidiocese… Embora tenha sido exitoso, desinstalei e desagradei muita gente, por razões facilmente presumíveis”

Lembra ter acolhido “padres e seminaristas, no intuito de lhes oferecer novas chances na vida. Entre outros, alguns egressos, posteriormente suspeitos de cometer graves defecções, contrárias à idoneidade exigida no sagrado ministério”, e que isso pode ter sido um erro, mas apenas “por confiar demais, numa ingênua misericórdia”.

Sobre a questão política, afirmou que evitou “ficar em cima do muro” e que adotou “posições assertivas diante de políticas públicas estruturais em vista do desenvolvimento integral de nossa gente e de nossa terra” e que, por isso, “foi inevitável acolher reações e interpretações diferentes, independente de minha reta intenção de não me imiscuir na esfera político-partidária, e jamais almejar algum poder de ordem temporal”.

Diz ainda: “Não tardaram retaliações internas e externas, ademais da instauração de um clima de desestabilização urdida por grupos de pressão, incluindo os que se denominaram ‘padres anônimos’, escudados no sigilo da fonte de informações, obtendo ampla cobertura num jornal. Matérias sobre a vida da Igreja da Paraíba, descritas em forma unilateral, distorcida, provocatória, foram periodicamente veiculadas, seguidas de comentários arbitrários por várias redes sociais”.

Dom Aldo citou a divulgação de uma “carta difamatória, envolvendo o arcebispo e vários sacerdotes, arbitrariamente expostos ao escárnio público… As redes sociais encarregaram-se de espalhar comentários peregrinos e duvidosos”, e revelou que “a presumida autora da carta responde em foro criminal”.
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