A gangorra da vida prossegue com meu pai

Por Eliabe Castor, jornalista Eu peço um milésimo de segundo. Nada mais, nada menos. Só este efêmero instante para que a ampulheta da...

Por Eliabe Castor, jornalista

Eu peço um milésimo de segundo. Nada mais, nada menos. Só este efêmero instante para que a ampulheta da vida comece, mais uma vez, a revolver os pequenos grãos de areia finíssimos contidos no seu interior e, assim, aquele instante que pedi a pouco, “partido”, prossiga, pois o tempo não pára. Ele foi-se!  Já é passado, mas, também, presente e futuro. Tornou-se energia, prana, espírito, o princípio da vida; o Alfa e o Ômega e uma nova vida surgiu no universo, talvez bem perto de uma calda de cometa ou de uma fugaz “estrela cadente”.

Gostaria que todos compreendessem um fato que é explicado pela ciência e religião: aquele ser que partiu furtivo, esvaziando-se como o coração dos aflitos, vem nos acalentar com seu renascimento. E assim, como nas ondas que partem e retornam nos versos “preguiçosas” cantaroladas pelo velho Caymmi, o seu corpo já não é o mesmo, Dr. Leverrier Nunes de Castro. Mas toda a sua energia vital está espalhado nesse belo e caótico cosmos, cuja essência dele somos nós, ou o contrário, e isso é belo.

Não busco reencontrá-lo neste plano, embora tenha a certeza absoluta que a impermanência desta vida é, tão somente, um rito de passagem, daí ter a certeza que, no primeiro Dia dos Pais sem ti, estás mais perto de nós que ao longe. É isso que sinto, como Sadrinha e nossa mãe, Lourdes, sua amada que, ao longo de 50 anos, vivenciou o mais puro amor.

Beijo meu pai. Dia destes nos vemos novamente nas esquinas do universo!

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