Opinião: Climão entre Cristiane Dias e Willian Waack é a maior prova de que equipes de esportes e jornalismo pensam e trabalham de formas bem diferentes

Do Blog do Vannucci Até que demorou para ficar muito claro ao telespectador que o clima não ...

Do Blog do Vannucci

Até que demorou para ficar muito claro ao telespectador que o clima não é dos melhores entre Cristiane Dias e Willian Waack no “Jornal da Globo”. Durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o titular foi obrigado a dividir seu espaço com a jornalista do departamento de esportes, o que, desde a noite da cerimônia de abertura, gerou muito desconforto entre os dois, algo perceptível até para o telespectador mais desatento. Na edição da madrugada desta quinta-feira, a confirmação. Visivelmente irritada pelo fato de ter sido ignorada por Waack na escalada do telejornal, Cristiane soltou sua alfinetada: “agora, finalmente, ele me deu um oi, mas tudo bem, o momento pedia pressa e a gente entende”. As ironias prosseguiram até a entrada da primeira reportagem. E regressaram no final do jornal.

O episódio desta madrugada só foi mais um detalhe do que vinha acontecendo todas as noites no “Jornal da Globo”, ancorado no estúdio construído no Centro Olímpico. De acordo com o planejamento inicial, caberia a Willian Waack ancorar o noticiário geral com as editorias de política, economia e internacional e Cristiane ficaria com tudo o que envolve a Rio-2016. O primeiro sinal de que faíscas sairiam dessa dupla surgiu durante a entrevista com a cantora Anitta. Waack tentou ser irônico e recebeu uma resposta torta da artista e Cristiane o atropelou no início da conversa, puxando para si a condução daquele momento.

Em várias outras ocasiões o desencontro era nítido. Além disso, em muitas aberturas, Willian Waack chamou a atenção para o noticiário político ou econômico, meio deixado de escanteio pelo próprio telespectador que vinha embalado do calor de uma disputa olímpica importante exibida minutos antes. Tentar forçar que aquela manchete é mais significativa do que o esporte é como chegar no meio da arquibancada e tentar discutir política quando o assunto é gol perdido ou a vitória do time. Naqueles minutos iniciais, ninguém quer saber de Michel Temer, impeachment, dólar ou eleições nos Estados Unidos. Por isso, é fundamental mesclar as pautas e aos poucos desviar a atenção das pessoas. No vídeo, as caras dos dois jornalistas demonstravam claramente este desencontro e desconforto, dois mundos diferentes, dois olhares distintos sobre o que é importante.

As alfinetas e ironias públicas ainda serão discutidas internamente na Globo e claro que sobrará para muita gente, não somente para Cristiane Dias ou Willian Waack, afinal, todos os profissionais envolvidos com o “Jornal da Globo” durante a Rio-2016 poderiam ter evitado esse climão. O erro é de todos. Se o bom senso não funcionou, alguém deveria ter posto um ponto final numa briguinha gerada por vaidades e disputas naturais de espaço.

Veja





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#SintoniaFina 

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