Após denúncia, Lula exalta própria trajetória e volta ao discurso de classes

Após ser denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva e ativa e lavagem de di...

Após ser denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que "construíram uma mentira como um enredo de novela". Ele apresentou seu caso, relacionado ao escândalo de corrupção na Petrobras, ao impeachment de Dilma Rousseff. "Agora precisa concluir a novela: quem é o bandido e quem é o mocinho. 'Vamos dar um desfecho: acabar com a vida do Lula'", disse Lula.

Em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (15), o ex-presidente mostrou que ainda é um orador muito hábil e sabe que o seu principal ativo é seu passado político e sindical. Não por acaso, durante mais de uma hora em que ficou discursando, o ex-presidente evocou várias vezes seu histórico e até chegou a chorar em dois momentos. Numa das ocasiões disse: "eu conquistei o direito de andar de cabeça erguida nesse País".


O ex-presidente afirmou que seus opositores querem "extirpar" o PT da história da política brasileira. "Nunca imaginei passar pelo que estou passando agora", declarou. Lula chamou a apresentação da denúncia nesta quarta (14) de "show de pirotecnia".

Enquanto contava sua trajetória política, Lula afirmou: "eu tenho a consciência de que o meu fracasso teria agradado os meus adversários, não teria despertado tanto ódio contra o PT". O que teria despertado a suposta perseguição, diz Lula, foi o "nosso (do PT) sucesso". "O ódio deles é porque, durante 500 anos, eles não acreditavam que podiam investir na educação", afirmou, ao começar citar programas de seu governo.

Lula afirmou que defende um Ministério Público e uma Polícia Federal fortes, mas que essass entidades sejam cada vez mais responsáveis. Para Lula, o governo do PT foi o que mais fortaleceu as instituições no País. "Eu duvido que nesse País alguém ou algum partido representado pelo governo Dilma e pelo meu fizeram mais para fortalecer as instituição que defendem o Estado nesse País", disse.

Corrupção e Polícia Federal

Lula afirmou que seu governo "tirou o tapete que escondia a corrupção neste País" ao criar por exemplo o Portal da Transparência e efetivar a Lei de Acesso à Informação, sendo esses legados do governo de sua sucessora Dilma Rousseff.

O fortalecimento da Polícia Federal e aceitar indicação do Ministério Público para o cargo de procurador-geral da República também foram atitudes destacadas pelo petista. "Antes havia um 'engavetador geral da república'", repetiu Lula, em referência ao procurador Geraldo Brindeiro, que ocupou o cargo de 1995 a 2003.

Para o ex-presidente, o Brasil vive hoje um momento que a lógica não é mais os autos do processo, mas a manchete.

Honestidade

Lula voltou a se declarar como honesto e inocente. "Só tem um jeito de a pessoa não ser perseguida pela política desse Pais, é ser honesta e cumprir com suas obrigação", disse o ex-presidente, reforçando que ninguém está acima da lei. "Nem procurador, nem delegado e nem ninguém da Suprema Corte", falou.

Desafio

"Me dedicaram um apartamento que eu não tenho (...). Me dedicaram até de ser comandante maior de todo o processo de corrupção da Petrobras. Eu tenho convicção de quem mentiu está numa enrascada". Lula disse "vão ter que ir construindo uma versão" para justificar as "mentiras que inventaram" contra ele.

Ao final do discurso, o ex-presidente tirou a jaqueta, beijou o símbolo do PT de uma camisa vermelha que usava por baixo e conclamou os militantes do partido: "cada petista desse país tem que começar a andar de camisa vermelha". O ex-presidente ainda deu dicas de moda para quem não apoia o PT: "quem não gostar, comece a usar outra cor". (Jovem Pan, com informações complementares de Estadão Conteúdo)
***

#Política

Você pode gostar também

0 comentários