Nêumanne diz em O Estadão que o Governo RC com “baixa popularidade” é o “primeiro suspeito” de bancar festa em Monteiro

Blog do Helder Moura A mídia nacional não esqueceu o aparato montado pelo Governo Ricardo Coutinho, para a festa de reinauguração da ...

Blog do Helder Moura

A mídia nacional não esqueceu o aparato montado pelo Governo Ricardo Coutinho, para a festa de reinauguração da Transposição, último domingo, em Monteiro. Está no Estadão, em artigo assinado pelo jornalista José Nêumanne Pinto, comentário cobrando destacando que o governador precisou “aparecer”, diante da baixa popularidade que experimenta no momento.

Com o título “Meio milagre no São Francisco”, Nêumanne questiona: “Quem pagou a conta dessa romaria? Cui prodest?, perguntariam os romanos: a quem interessa? Ricardo Coutinho, com popularidade em baixa e sem um candidato para chamar de seu na sucessão, é o primeiro suspeito.”

E ainda: “Afinal, (Ricardo Coutinho) enfrentou Temer e bajulou Lula para ganhar os votos das águas da discórdia, como faziam os coronéis de antanho, que usavam o dinheiro do Estado para remunerar miseráveis construindo estradas nos anos de seca.”

CONFIRA A ÍNTEGRA DO COMENTÁRIO…

A transposição das águas do Rio São Francisco para os canais de seu ramal leste, atingindo o Rio Paraíba do Norte em Monteiro, é fundamental para 800 mil habitantes do segundo maior município paraibano, Campina Grande, e mais 18 em seu entorno. Desde que o açude de Vaca Brava, no Brejo, secou, essas pessoas dependiam apenas do açude de Boqueirão, hoje com 3,5% do volume morto e que também secará em menos de um mês.

Então, ninguém tem de ser, como sou, ex-morador que se considera uma espécie de filho adotivo da Rainha da Borborema para receber com euforia a chegada àquela cidade e a suas vizinhas da águas do Velho Chico ao leito do curso fluvial quase completamente seco que deu nome ao Estado. Por anos a fio, desde 1998, quando ouvi de técnicos americanos, reunidos em Fortaleza num congresso internacional sobre recursos hídricos, a constatação da enorme dificuldade de transpor o “rio da unidade nacional”, adverti sobre inconvenientes da obra. Nenhum foi afastado.

Os técnicos alertaram que água vai ser um produto mais precioso e mais caro do que o petróleo no futuro. E que as próximas gerações de brasileiros não perdoariam o governo que gastasse o absurdo necessário para desviar parte das águas vindas da Serra da Canastra do seu leito natural, que chega ao mar em Porto Real do Colégio (AL) e Propriá (SE), para outros Estados. No caso, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, que já está em seu percurso à altura de Petrolina, do lado da margem de lá de Juazeiro da Bahia. Transpor o rio, tal como anunciaria Lula nove anos depois, seria apenas tornar sua foz múltipla, mas sem ganho econômico nenhum para a região e muito menos para o País.

O correto seria usar a transposição para permitir que jorrasse água de beber, banhar e cozinhar nas torneiras urbanas e rurais, mas também para irrigar o solo do Semiárido e, com isso, evitar a penúria do sertanejo e o êxodo na seca. O ideal seria transpor antes a água do Tocantins para o São Francisco, evitando que este viesse a secar no futuro, pois já está sendo degradado antes mesmo de doar generosamente suas águas para o Nordeste seco. Pois nem a agroindústria brasileira, competente tecnologicamente e bem conceituada comercialmente, pagaria o custo da empreitada.

Em 2007, quando a anunciou Lula, o custo foi calculado em R$ 4 bilhões. Não era pouco. Mas a corrupção reinante e a engenharia incipiente mais do que o dobraram. As águas chegaram a Monteiro no começo deste março ao custo de R$ 10 bilhões. Quanto custará levá-las ao açude de Açu, no interior do Rio Grande do Norte, ou ao de Castanhão, que abastece Fortaleza e, tal como o Boqueirão, está pela hora finda amém, nem o mais otimista dos economistas que levaram o Brasil à bancarrota saberá calcular. É duvidoso que por outros canais, que também custarão uma fortuna, atinjam o sertão de Espinharas, onde fica Patos, ou o vale do Rio do Peixe, um rio seco e sem peixes em cujas margens este escriba nasceu.

Neste momento, contudo, o que interessa é que ninguém morrerá de sede no Planalto da Borborema, onde fica o Açude Velho, em torno do qual Campina Grande prosperou. E pelo leito do velho Paraíba, seus efeitos chegarão a João Pessoa, capital do Estado, que nunca teve problema com abastecimento de água potável. É natural a euforia com que os campinenses e seus vizinhos receberam a inauguração dupla da chegada do líquido que brotou em Minas ao leito seco do outro, que começa perto de Monteiro, no limite da Paraíba com Pernambuco e é interrompido em cada estiagem.

Pode ser natural também essa dupla inauguração. O presidente Temer foi lá e ouviu o governador paraibano, Ricardo Coutinho, dizer que o milagreiro que fez a água chegar ao sertão de Pernambuco, ao Cariri e ao Agreste paraibano foi o filho de Caetés, distrito de Garanhuns, Luiz Inácio Lula da Silva. E natural ainda que este fosse testemunhar o próprio milagre na companhia de seu poste sem luz Dilma Rousseff. Natural, mas ilícito!

Lula e Dilma não são mais servidores públicos. O primeiro teve oito anos para inaugurar a obra faraônica, mas não o fez. A segunda nunca deu um minuto de sua atenção ao Nordeste em geral e ao sertão em particular. Foram recebidos por militantes que lá chegaram de toda parte. À véspera, ônibus impediram o trânsito em torno da lagoa do Parque Solon de Lucena, no centro de João Pessoa, para levar devotos, que aparecerem sorridentes em selfies com os três – os dois citados e o governador local.

Quem pagou a conta dessa romaria? Cui prodest?, perguntariam os romanos: a quem interessa? Ricardo Coutinho, com popularidade em baixa e sem um candidato para chamar de seu na sucessão, é o primeiro suspeito. Afinal, enfrentou Temer e bajulou Lula para ganhar os votos das águas da discórdia, como faziam os coronéis de antanho, que usavam o dinheiro do Estado para remunerar miseráveis construindo estradas nos anos de seca.

A transposição para o ramal leste é apenas meio milagre. Fernando Gabeira mostrou, num documentário para a GloboNews, que o Chico chegou aos canais, mas nenhum pote de sertanejo às margens de seus canais recebeu uma caneca de água vinda de Minas Gerais e da Bahia. A promessa da água farta e perto pode ser o maior e melhor cabo eleitoral numa disputa incerta e que promete ser ingrata, como a próxima.

Quanto aos dois ex-presidentes, convém alertar para uma evidência. Como não ocupam nenhum cargo público que autorize sua presença na festa, esta só pode ser definida como disputa de eleição antes da hora autorizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E isso é crime! Assim como o são ter caixa 2 e pegar propina, seja para aumentar superfaturamento de obra, seja para se manter no poder. Assim como, por exemplo, a tal da lista fechada que tira do eleitor a possibilidade de evitar que os gatunos de sempre ainda transformem propinas por vantagens oferecidas em doações oficiais para financiar essas mesmas campanhas eleitorais biliardárias.

É crime eleitoral, sim! Lula já responde a cinco processos na Justiça criminal. Dilma foi citada na “delação de todo mundo” e está para ser condenada num processo eleitoral de abuso político e econômico por desrespeitar a decisão do eleitor na escolha de presidente. Mas, e daí?

Enquanto os dois sorriam felizes no Semiárido, o presidente do TSE, Gilmar Mendes, ocupava-se em colaborar com os mandatários temerosos de terem sido citados nas delações premiadas dos 77 da Odebrecht em sua tentativa de saírem do sufoco mudando a legislação eleitoral. Que, como Lula, um dos citados, violaram.

Quanto ao Brasil, é como dizia Justo Veríssimo, aquela personagem de Chico Anísio: “Que se exploda!”. Pois então…”


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