Conversa lateral: Meio surdo de um ouvido, Bial quebra tradição dos talk shows

Luciano Guaraldo, Notícias da TV Quem assistiu à estreia do Conversa com Bial na madrugada desta quarta-feira (3) pode ter percebido ...

Luciano Guaraldo, Notícias da TV

Quem assistiu à estreia do Conversa com Bial na madrugada desta quarta-feira (3) pode ter percebido um fato curioso: ao contrário do que acontece com outros talk shows, o cenário da nova atração da Globo deixa o apresentador do lado esquerdo da câmera, com os entrevistados à direita.

Segundo Pedro Bial, a ideia de inverter o palco tradicional partiu dele e foi sua única contribuição ao cenário do Conversa, desenvolvido pelo cenógrafo Milton De Biasi. A mudança, porém, não ocorreu para que o programa quebrasse uma tradição dos talk shows, mas por motivos práticos.

"Eu tenho um problema no ouvido direito. Uma bomba caiu perto de mim quando eu estava trabalhando como repórter em Sarajevo [na cobertura da guerra civil da então Iugoslávia, em 1994] e eu perdi a capacidade de ouvir graves e agudos, não escuto tão bem desse lado. Então, eu pedi para inverter o cenário para que eu desse o ouvido esquerdo para o entrevistado. Senão, ia ficar me entortando para poder ouvir", conta o jornalista.

A configuração que deixa o apresentador à esquerda é pouco usual: até talk shows mais descontraídos, como os de Ellen DeGeneres e Chelsea Handler e o brasileiro Luciana By Night, que trocam a bancada por poltronas e sofás, colocam suas apresentadoras à direita.

No Brasil, Danilo Gentili (no SBT), Fábio Porchat (na Record), Tatá Werneck (no Multishow) e Marcelo Adnet (na Globo) seguem a montagem tradicional, também usada por Jô Soares no Onze e Meia (1988-1999) e no Programa do Jô (2000-2016). A estrutura também é vista nos Estados Unidos, nos programas de Jimmy Fallon, Stephen Colbert e Jimmy Kimmel.

Para Bial, porém, a inovação trazida pelo Conversa fica limitada ao palco invertido. Sem pretensões de revolucionar um gênero tão consagrado como o talk show, o apresentador minimiza a pressão de tentar fazer algo novo.

"Em termos de formato, não vejo grandes inovações. O Ariano Suassuna [autor paraibano, 1927-2014] me disse uma vez que o conceito de progresso e evolução não se aplica à arte. Nela, não há inovação, há renovação. Então, o Conversa veio renovar uma linguagem que já existia e que, pelo jeito, é muito querida pelos telespectadores, porque em todos os países do mundo há talk shows", diz Bial.

Ele também conta que diminuiu sua preocupação com a tentativa de "reinventar a roda" após conversar com Jô Soares, a quem fez questão de procurar para pedir uma bênção para assumir o horário. "Ele me disse que a diferença no talk show é feita por quem está atrás da mesa. Então, bastava fazer do meu jeito que a diferença seria essa", explica.
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#SintoniaFina

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