Lula admite visita a tríplex, mas diz que nunca demonstrou interesse no imóvel

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, nesta quarta-feira (10), que chegou a visitar o tríplex no Guarujá (SP), mas que nunca demonstrou interesse no imóvel. O ex-presidente admitiu que visitou o apartamento 164-A, do Edifício Solaris, que seria propina do esquema alvo da Operação Lava Jato, paga pela OAS.

Segundo o ex-presidente, ele tratou do assunto por duas vezes com o empresário Léo Pinheiro, um dos sócios da empreiteira OAS. "Eu tratei do triplex com Léo uma vez, quando ele foi no Instituto dizer que eu tinha que visitar, e quando fui visitar. Nunca mais tratei de triplex, nem de quadruplex", ironizou.

Questionado o motivo de não ter comunicado que não tinha interesse no apartamento, Lula desconversou. "Eu não tinha contato com os diretores da OAS", explicou.

Moro perguntou se Lula tinha desistido do tríplex depois que ele visitou o imóvel. "O senhor decidiu que não ia ficar com esse primeiro tríplex já na primeira visita que o senhor fez em fevereiro de 2014?."

"Foi isso. Nunca solicitei e nunca recebi apartamento. Imagino que o Ministério Público vai na hora que for falar apresentar as provas. Eles devem ter pelo menos algum documento que prove o direito jurídico de propriedade para dizer que é meu o apartamento."

Encontros com Léo Pinheiro

Mais adiante no depoimento, o procurador do Ministério Público afirmou que Lula se encontrou com Léo Pinheiro dias após a visita, o que Lula negou. "Eu visitei o 'tal' do triplex em fevereiro de 2014, você tá falando de dezembro de 2014".

O procurador insistiu: "mas aqui consta uma reunião do senhor com o Léo Pinheiro em 31 de março de 2014". Lula rebateu: "Eu posso ter tido outra reunião, o Léo tratava de empresa, de economia. Não sobre triplex".

A denúncia do Ministério Público Federal sustenta que Lula recebeu R$ 3,7 milhões em benefício próprio - de um valor de R$ 87 milhões de corrupção - da empreiteira OAS, entre 2006 e 2012. As acusações contra Lula são relativas ao recebimento de vantagens ilícitas da empreiteira por meio do triplex 164-A no Edifício Solaris, no Guarujá (SP), e ao armazenamento de bens do acervo presidencial, mantido pela Granero de 2011 a 2016. O petista é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção.

Ciência de desvios

Lula também foi questionado se ele tomou alguma atitude depois que vieram a público as denúncias de desvios envolvendo o Partido dos Trabalhadores, mais especificamente em relação ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto, acusado de ser o responsável por receber vantagens indevidas no PT.

"Eu aprendi com vocês, advogados, que todo mundo é inocente té provar o contrário", disse. "Vaccari era tratado por mim como dirigente nacional do PT. Eu nao conversava de finança do PT porque eu não era da direção do PT."

O diálogo segue e não fica claro se Lula perguntou diretamente a Vaccari sobre os desvios ou não, até o ex-presidente se irrita e "assume" a conversa com o ex-tesoureiro. "Você precisava de qualquer jeito de uma resposta eu estou dando. Espero que não seja por essa resposta minha que eu seja condenado", afirma o ex-presidente ao Promotor.

Triplex

O Edifício Solaris era da Cooperativa Habitacional dos Bancários (Bancoop), a cooperativa fundada nos anos 1990 por um núcleo do PT. Em dificuldade financeira, a Bancoop repassou para a OAS empreendimentos inacabados, o que provocou a revolta de milhares de cooperados. O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi presidente da Bancoop.

A ex-primeira-dama Marisa Letícia (morta em 2017) assinou Termo de Adesão e Compromisso de Participação com a Bancoop e adquiriu "uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico", atual Solaris, em abril de 2005.

Em 2009, a Bancoop repassou o empreendimento à OAS e deu duas opções aos cooperados: solicitar a devolução dos recursos financeiros integralizados no empreendimento ou adquirir uma unidade da OAS, por um valor pré-estabelecido, utilizando, como parte do pagamento, o valor já pago à Cooperativa.

Segundo a defesa de Lula, a ex-primeira-dama não exerceu a opção de compra após a OAS assumir o imóvel. Em 2015, Marisa Letícia pediu a restituição dos valores colocados no empreendimento.
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