Análise: Mudanças no PT: corrente de Lula perdeu maioria absoluta no Diretório

Por André Shalders, Poder 360 O fato passou desapercebido em meio ao tumulto das últimas semanas. O chamado “grupo majoritário” do ...


Por André Shalders, Poder 360

O fato passou desapercebido em meio ao tumulto das últimas semanas. O chamado “grupo majoritário” do PT, que controla o partido desde antes da chegada da sigla ao governo federal, em 2003, perdeu a maioria absoluta no Diretório Nacional petista.

O resultado saiu do 6º Congresso do PT, no começo de junho.  Senadora e ré no STF (Supremo Tribunal Federal), Gleisi Hoffmann (PR) foi eleita presidente sob os auspícios de Lula.

A corrente do ex-presidente Lula, chamada CNB (Construindo um Novo Brasil), terá 42 das 90 cadeiras no Diretório. Também perdeu a maioria absoluta na Executiva, responsável pela gestão do PT no dia-a-dia: terá 12 dos 26 assentos.

Perde força o grupo moderado que comandou a sigla durante o período 2003-2016. Golpeada pela Lava Jato e desidratada pelo fim das benesses auferidas em 13 anos de inquilinato no Planalto, esta parcela (que ainda é majoritária) vê declinar lentamente seu poder de fogo.

Na prática, o 2º maior partido brasileiro em número de filiados e de congressistas fica mais propenso à radicalização.

Diretório e Executiva são os responsáveis pela atuação cotidiana do partido. O “fechamento de questão” sobre determinado tema no Câmara ou no iSenado, por exemplo, é decidido pelos deputados ou senadores em conjunto com a Executiva.

Tudo considerado, mantém-se o status de Lula como a única pessoa capaz de unificar o aglomerado de correntes petistas (muitas correntes são “lulistas” mesmo que Lula em si faça parte da CNB).

Mas ganha margem de manobra a ala petista que deseja adotar posturas mais radicalizadas (ou sectárias) em decisões do di-a-dia da política.

COMO ACONTECEU?

O quadro abaixo traz o resultado das chapas que disputaram o 6º Congresso do PT.

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A chapa com os melhores resultados foi integrada pela CNB e por uma corrente minoritária, de orientação trotskista, chamada OT (O Trabalho). Esta ficará com 3 das 45 cadeiras no Diretório e 1 das 13 vagas conquistadas na Executiva Nacional.

Misa Boito, Markus Sokol e Luiz Eduardo Greenhalgh ocuparão estes assentos de O Trabalho.

Da última vez que o PT renovou o Diretório Nacional, em 2013, a CNB conquistou 44 cadeiras no Diretório (que à época era formado por 82 pessoas) e 10 dos 18 assentos na Executiva. O Trabalho disputou sozinha na ocasião, e fez apenas 1 vaga no Diretório.

pt-analise-2013

Além da Lava Jato e do baque do impeachment, também pesou no resultado o formato da escolha da direção partidária: em 2003 adotou-se o chamado PED (Processo de Eleição Direta), no qual os filiados votam diretamente. Em 2017, o processo havia sido misto, com eleições “indiretas” para o comando partidário.

SAI RUI FALCÃO, ENTRA GILBERTO CARVALHO 

A chapa apoiada pelo ex-presidente do PT (Optei) ficou só com duas das 26 cadeiras na Comissão Executiva Nacional do partido. Rui Falcão não deve integrar o novo comando petista, pois sua corrente deve indicar uma mulher para a vaga.

Já o ex-ministro da secretaria-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deve ser escalado pela CNB para integrar a nova Executiva petista. Em público, ele nega esta possibilidade.

Os ex-presidentes Lula e Dilma no 6º Congresso nacional do PT Sérgio Lima/Poder360 - 1º.jun.2017

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#Política

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