No Nordeste, Lula infla dados de emprego, redução da miséria e Previdência

Por Carlos Madeiro, colaboração para o UOL, em várias cidades do Nordeste O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido, d...

Beto Macário/Colaboração para o UOL

Por Carlos Madeiro, colaboração para o UOL, em várias cidades do Nordeste

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem repetido, durante sua caravana no Nordeste, iniciada no dia 16, uma série de dados referentes ao seu governo e ao da ex-presidente Dilma Rousseff.

O UOL acompanhou os discursos e entrevistas e selecionou dez declarações entre as mais citadas por ele para checar sua veracidade.

Em quatro casos, há algum tipo de inconsistência, como nas afirmações sobre emprego, redução da miséria e Previdência (veja a seguir cada uma e a defesa do ex-presidente feita pelo Instituto Lula).

Muitas vezes, o petista reduz o tempo de análise, sempre citando os anos entre 2003 e 2014 e excluindo o período de um ano e três meses do segundo mandato de Dilma, até o impeachment. Em outros momentos, cita quedas, como no ranking mundial de economias, mas que ocorreram ainda durante a gestão de sua sucessora.

"De 2004 a 2014, a Previdência foi superavitária porque havia maior mercado de trabalho." CONTESTÁVEL: A discussão é polêmica e tem ganhado corpo por conta da Reforma da Previdência. Porém, segundo balanço oficial do Ministério da Previdência, ela sempre foi deficitária nos anos de governo petista.

O menor déficit teria ocorrido em 2011, mas mesmo assim com uma diferença negativa de R$ 51,6 bilhões.

Segundo o Instituto Lula, "o dado se baseia em estudo da economista Laura Tavares sobre a arrecadação da seguridade social feito para a ANFIP - Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Recita Federal".

"Nós geramos 22 milhões de empregos com carteira assinada." FALSO: Se somarmos todo o período dos dois gestores (janeiro de 2003 a março de 2016), o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), diz que o saldo positivo do emprego formal foi alto, de 14,1 milhões, mas menor que o anunciado pelo ex-presidente. Se levarmos em conta apenas os anos de 2003 a 2014, como ele citou algumas vezes, mesmo assim o número chega a 16 milhões.

O Instituto Lula afirmou que o dado apresentado pelo ex-presidente se baseia "na RAIS entre 2002 e fim de 2014 e mostra a criação de 20 milhões e 892 mil empregos, ou seja, cerca de 21 milhões de empregos". Porém, além de ser um pouco menor que os 22 milhões repetido em quase todo discurso por Lula, o MTE esclarece que a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) inclui não só celetistas, mas também estatutários, temporários e avulsos. Já o Caged avalia apenas o comportamento do mercado de trabalho com carteira assinada. Paulo Uchôa/Leia Já Imagens/Estadão Conteúdo Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, na cidade de Ipojuca (PE).

"Nós aumentamos o salário mínimo em 74% acima da inflação." FALSO: O ex-presidente Lula declarou um percentual de ganho real do salário mínimo na era petista abaixo do que ele foi de fato. Essa alta foi de 90% se compararmos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de janeiro de 2003, quando Lula assumiu, até janeiro de 2016 (mês em que houve um último reajuste na gestão petista).

O Instituto Lula reconheceu o erro e disse que, se levar em conta o ano de 2015, o percentual é maior que o falado por Lula.

"Eu saí com 87% de bom e ótimo nas pesquisas." VERDADE: A aprovação pessoal do ex-presidente em dezembro de 2010, segundo o Ibope, foi de 87%. Mas cabe ressaltar que a avaliação positiva do governo --apesar de recorde-- foi um pouco menor: 80%.

"Nós entregamos de 1,2 milhão de cisternas no semiárido." VERDADE: Ao todo foram 1,24 milhão de equipamentos construídos pelo programa de cisternas ou apoiadas por ações e programa de governo, como o Fome Zero.

"Nos nossos governos, foram criadas 18 novas universidades e 422 escolas técnicas." VERDADE: O número de universidades construídas ou que se tornaram unidades autônomas e das escolas técnicas é o que Lula tem divulgado nos discursos.

"Quando propusemos o Minha Casa, Minha Vida, em março de 2009, achavam que eu estava louco por propor 1 milhão de casas. Um ano depois, em 2010, o Minha Casa, Minha Vida chegava ao contrato de número 1 milhão." VERDADE: O contrato de número 1 milhão foi assinado em dezembro de 2010.

"Retiramos 36 milhões de pessoas da miséria." CONTESTÁVEL: Não é esse o número apontado o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que enxergou entre 2002 e 2012 uma queda de 8,6 milhões no número de miseráveis. O número de 36 milhões --já apresentado por Dilma na eleição de 2014-- se referia a pessoas que recebem Bolsa Família e que, hipoteticamente, deixaram a miséria.

O Instituto Lula disse que se baseou na "informação oficial do Brasil sem Miséria sobre os resultados dos programas de transferência de renda e outras políticas públicas".

"O Brasil era a sexta economia do mundo, agora é a nona." VERDADE: O Brasil chegou a ocupar a sexta posição em 2011, desbancando o Reino Unido, quando Lula deixou o governo. Em 2014, porém, já era sétimo. Mas, em 2015, caiu para a nona posição --ou seja ainda durante parte da gestão petista.
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