Arte, não-arte e bom senso

Por Gisa Veiga, para o Paraíba Online Muito já se falou e continuam falando sobre as recentes e polêmicas manifestações artísticas co...

Por Gisa Veiga, para o Paraíba Online

Muito já se falou e continuam falando sobre as recentes e polêmicas manifestações artísticas com cenas explícitas de sexo, inclusive zoofilia, e performances de duvidoso bom gosto, para dizer o mínimo, com permissão de entrada e interação de crianças. Seus defensores falam em “histeria da direita” e censura. Discordo.

Por princípio, sou contra qualquer tipo de censura. Mas, a exemplo de algumas peças teatrais, há que se demarcar um limite de idade para frequentadores em determinadas manifestações. Ninguém de bom senso, nenhum psicólogo, nenhum educador bem formado há de concordar na pretensa naturalidade da performance de um homem nu, no MAM, na presença de crianças que o admiram e até o tocam.

Como se fosse legal e seguro tocar homens nus. Crianças não têm o mesmo senso de distinção de perigo que nós, adultos. Se elas são orientadas a achar natural tocar estranhos sem roupa, estarão expostas ao perigo de, algum dia, encontrar um outro homem nu na rua ou na escola – um pedófilo – e achar que aquilo não lhe trará problema algum. Seria uma cena, natural, corriqueira. E não é.

Crianças devem ser resguardadas de certos tipos de costumes adultos. São crianças, não mini-adultos. Para que antecipar a sexualidade? Para que expor crianças a certas cenas? Qual o objetivo?

Como já frisei, sou contra a censura. Ainda lembro da obscura época da ditadura militar, em que censurar era um ato até banal. Censurava-se tudo, sem qualquer racionalidade.

Sou pelo respeito. Se alguém gosta desse tipo de arte, deve ser livre para admirá-la e consumi-la, mas em local apropriado. Sou contra qualquer tipo de censura – às artes, à imprensa, à livre opinião e manifestação do pensamento, à opção sexual, como também sou contra aquela censura, por outro lado, que querem impor às igrejas católicas e evangélicas em suas doutrinas. Afinal, liberdade de expressão tem duas vias. Se há intolerância do lado A, pode ser que haja intolerância do lado B.

Uma gera a outra e se alimentam. Alteridade, nesses tempos de imposição de ideias e costumes nas redes sociais, é fundamental para exercitar o respeito mútuo entre os diferentes.

Os artistas dessa corrente permissiva atacam com argumentos rasos do tipo “vocês são conservadores e não entendem de arte”, ou “isso é histeria da direita”, como se o público pudesse ser dividido entre direita e esquerda, como se a direita também não produzisse artistas, ou que todos que se contrapõem a certas manifestações fossem aliados do Movimento Brasil Livre.

A arte não tem partido nem barreiras. A histeria existe, na verdade, de todos os lados – artistas e público, imprensa e redes sociais, quer defendam, quer ataquem. Poucos se dispõem ao diálogo.

Rodrigo Constantino, há algumas semanas, escreveu um artigo sem qualquer histeria – “A esquerda fazendo arte” – ao lado de uma ampla matéria que detonava os detratores da exposição do Santander, numa demonstração de que a revista abre espaço para diferentes pontos de vista, sem censura.

Considerou que, no caso da exposição do banco, havia “imagens devastadoras para o cérebro das crianças”. E diz algo bem verdadeiro: “A arte sempre teve um tom subversivo, e muitas vezes chegou a chocar. Mas eis a mudança na era pós-moderna: hoje tudo que choca é considerado arte. O intuito é só chocar, quebras tabus, os poucos que restam. E se tudo é arte, nada é arte”.

Taí. Gostei.
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#Sociedade #Opinião

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