Pressionado, governo faz acordo para zerar Cide sobre o diesel

Maia diz que foi feito um acordo para os que recursos da reoneração sejam utilizados para reduzir o impacto do aumento do diesel (Marce...

Combustíveis têm primeira variação de preço em 2018

Maia diz que foi feito um acordo para os que recursos da reoneração sejam utilizados para reduzir o impacto do aumento do diesel (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ministro da FazendaEduardo Gardia, anunciou nesta noite um acordo para conter o aumento do preço dos combustíveis. O acerto foi antecipado mais cedo pelo Câmara dos DeputadosRodrigo Maia (DEM-RJ), em sua conta no Twitter. Para segurar os preços dos combustíveis, o governo vai zerar a alíquota da Cide incidente sobre o preço do diesel.

Para compensar a redução de arrecadação, o governo negociou com o presidente da Câmara e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), a aprovação do projeto de reoneração. “A partir de dezembro de 2020, nenhum setor contará com o benefício da desoneração da folha. De hoje até dezembro de 2020, manteremos alguns setores com a desoneração”, disse o ministro.

Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, disse que o governo discutia uma redução de impostos para diminuir a pressão nas bombas dos postos. Guardia chegou a negar essa informação, dizendo ontem que não havia espaço para redução de impostos. Após se reunir com Guardia, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, afirmou que a política de preços da estatal, em vigor desde julho do ano passado, não seria alterada.

O anúncio ocorreu após caminhoneiros iniciarem ontem protestos em dezenove estados contra a alta dos combustíveis e à pressão de membros do governo para conter a escalada de preços.  Desde que a Petrobras iniciou sua nova política de preços para os combustíveis, em 3 de julho do ano passado, o óleo diesel subiu 56,5% na refinaria, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) – passou de 1,5006 reais para 2,3488 reais (sem contar os impostos). O aumento acompanhou a cotação do petróleo no mercado internacional, exatamente a intenção da estatal. Mas, para os caminhoneiros, essa alta vem tornando sua atividade inviável.

Após anunciar o acordo, Guardia fez um apelo para que os caminhoneiros encerrem a paralisação. “Apelo para que retornem à atividade para não prejudicar a população.”

Caminhoneiros

O presidente da entidade que organiza o movimento dos caminhoneiros autônomos do país, Abcam, José da Fonseca Lopes, afirmou que a redução da Cide não é suficiente. Enquanto isso, um pequeno corte no preço do diesel anunciado pela Petrobras mais cedo pouco fez para reverter a posição dos caminhoneiros.

“Isso não resolve o problema, a gente quer ser ouvido. Queremos que os tributos no óleo diesel sejam zerados. A Cide representa 1 por cento dos tributos que incidem no combustível”, disse Lopes em resposta a questionamento sobre a chance de a paralisação dos caminhoneiros ser suspensa.

A Abcam estima que cerca de 300 mil caminhoneiros tenham participado dos protestos desta terça-feira, ante 200 mil no dia anterior. A entidade representa cerca de 600 mil caminhoneiros autônomos de um total de 1 milhão de motoristas no Brasil.

A Cooperativa Central Aurora Alimentos, terceira maior produtora de carnes de aves e suínos do Brasil, anunciou nesta terça-feira que paralisará totalmente as atividades das indústrias de processamento de aves e suínos em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, na quinta e sexta-feira, devido aos problemas causados pela greve dos caminhoneiros.

Segundo a Abcam, foram registrados protestos em 23 Estados. A última vez que os caminhoneiros promoveram protestos em âmbito nacional foi no início de 2015, quando exigiram redução de custos com combustível, pedágios e tabelamento de fretes.

Os protestos duraram vários dias e paralisaram dezenas de rodovias em um movimento que afetou as exportações do país. Os caminhoneiros suspenderam o movimento quando o governo da então presidente Dilma Rousseff aprovou a chamada Lei do Caminhoneiro, que reduziu custos em rodovias com pedágios.

(Veja, com Reuters e Estadão Conteúdo)
***
#Política #Sociedade

Você pode gostar também

0 comentários