Palhaçada do registro de Lula mostra que PT não tem limites na bagunça

Nonato Guedes, Os Guedes O espetáculo pirotécnico posto em prática pelo Partido dos Trabalhadores, ontem, forçando a barra para que o p...

Nonato Guedes, Os Guedes
O espetáculo pirotécnico posto em prática pelo Partido dos Trabalhadores, ontem, forçando a barra para que o presidiário Luiz Inácio Lula da Silva seja candidato a presidente da República é um retrato destes tempos de abulia do governo Temer, de tentativa ostensiva de intimidação do Judiciário e de calculada estratégia para confundir o eleitorado. Como definiu o articulista Josias de Souza, o PT ambicionou montar no Tribunal Superior Eleitoral, ontem, em Brasília, um “puxadinho” do teatro que vem encenando desde a prisão em abril do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva por acusação de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e manobras visando obstruir a Justiça.
Desde a “blitzkrieg” montada às portas do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, onde Lula se refugiou para fugir da prisão decretada pelo juiz Sergio Moro, capitulando às evidências, até a pantomima de ontem em Brasília, sem a presença do presidiário-postulante, a cúpula petista demonstrou que, para ela, não há limites na bagunça institucionalizada. O registro de Lula como “candidato oculto”, já que será inapelavelmente substituído por Fernando Haddad, pau mandado do ex-presidente, foi um dos maiores desserviços já prestados à democracia no histórico dos últimos anos em nosso país. Um triste exemplo de incivilidade, de barbárie, de ensaio de tomada do poder pelo assalto, ignorando os cânones legais. A estratégia final – além da intenção perfunctória de tumultuar o processo com outros postulantes legalmente habilitados a concorrer – mira na suposta transferência de votos de Lula.
O sonho de consumo de Lula, que se acha o único líder popular do país, é reeditar uma experiência que o deixou fascinado – a de eleger “um poste” para presidente da República. Foi como “poste” que ele tratou a candidata Dilma Rousseff, a “Mãe do PAC”, lançada e vitoriosa na eleição de 2010, reeleita em 2014 numa disputa controversa contra Aécio Neves e finalmente alvo de um processo de impeachment que a defenestrou do Palácio do Planalto. A partir do impeachment de Dilma, o lulopetismo elaborou a “narrativa do golpe”, insinuando que houvera uma conspiração parlamentar, com isto ignorando os largos espaços de defesa que foram assegurados à Sra. Dilma Rousseff, hoje gozando o beneplácito da liberdade e a perspectiva de vir a ser candidata ao Senado por Minas Gerais (Ó, Minas Gerais). A narrativa do golpe vai continuar prosperando porque o PT não tem outro discurso convincente, muito menos justificativa para a roubalheira com que expoentes seus cevaram os bolsos e os próprios cofres, em detrimento da massa manipulada e inerme.
O PT, que desaprendeu a ganhar no voto e que perdeu os votos dos descamisados, por ter traído as mais caras expectativas já depositadas nas costas de um líder político como Lula e de uma agremiação como a que ele fundou, pode estar no limiar da sua derrocada, emitindo os últimos gemidos de uma suposta resistência que não encontra receptividade nem provoca comoção na opinião pública. A verdadeira máscara que encobre a fisionomia “vitimizada” do ex-presidente Lula e a imagem rota, desgastada, da bandeira vermelha que tremulou com ímpeto em tantas batalhas, é a máscara dos antidemocratas, dos ativistas políticos que nunca foram treinados para a democracia e que só visaram a conquista do poder. No regime militar que assolou o país durante 21 anos, quando de reunião para tratar da edição do AI-5, houve um ministro, o Jarbas Passarinho, que ao proferir seu voto favorável ao ato arbitrário, reagiu candidamente: “Às favas todos os escrúpulos!”. O PT não faz diferente do regime que torturou Dilma. Mandou às favas todos os escrúpulos.
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