Vice de Haddad, Manuela D’Ávila abre mão de propostas para se adequar ao programa do PT

Por Sergio Roxo, O Globo Ao assumir o posto de vice da chapa presidencial encabeçada pelo  PT  ,  Manuela D'Ávila deixou de lado d...

 Manuela D'Ávila abriu mão de suas propostas Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo
Por Sergio Roxo, O Globo
Ao assumir o posto de vice da chapa presidencial encabeçada pelo PT , Manuela D'Áviladeixou de lado duas das principais bandeiras que empunhou nos nove meses em que rodou o país como pré-candidata a presidente peloPCdoB : a defesa da legalização do aborto e a tributação das drogas. Os dois temas não constam do programa de governo da candidaturaFernando Haddad registrado no Tribunal Superior Eleitoral(TSE).
Manuela ajustou o foco de sua pauta para temas contemplados na plataforma petista, como defesa da igualdade de salários entre homens e mulheres e ampliação das vagas em creches.
Nas 61 páginas no programa de governo da chapa presidencial formada pelo PT e pelo PCdoB, não há qualquer menção ao aborto. Ao apresentar o documento, Haddad argumentou que o assunto será decidido quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgar a ação proposta pelo PSOL e, por isso, não havia necessidade de incluir o tema entre as propostas apresentadas ao eleitor.
Em entrevistas, ainda como pré-candidata a presidente, Manuela defendia que o aborto deveria ser tratado do ponto de vista da saúde pública com a formalização de uma projeto de legalização.
A defesa da legalização das drogas constava em um manifesto da candidatura do PCdoB ao Planalto. Manuela dizia ser a favor da tributação das drogas e defendia que os recursos arrecadados fossem usados nas comunidades que enfrentam a guerra do tráfico. No programa de governo de Haddad, o tema é tratado de forma tímida.
— O programa de nossa coligação foi construído pelo conjunto dos partidos. Não apenas por mim - justifica Manuela.
A vice diz que pretende continuar defendendo as legalizações do aborto e das drogas e que não deixará de lado esses temas.— A
s minhas opiniões são públicas e conhecidas pela população e foram sendo construídas ao longo de 14 anos de mandatos.
Mesmo tendo deixado de lado dois temas que interessam a mulheres e jovens, Manuela, de 37 anos, tem destaque na campanha de Haddad, porque é vista como um trunfo para conquistar eleitores.
O presidenciável e a vice têm feito agendas em conjunto numa frequência maior do que as outras chapas. Integrantes da campanha avaliam que Manuela tem mais facilidade nas agendas de rua do que o candidato. Um aliado lembra que ela está em sua sétima eleição, enquanto o candidato a presidente concorre apenas pela terceira vez. A filha Laura, de 3 anos, acompanha a mãe em algumas atividades de campanha.
Manuela se aliou ao PT em agosto, mas a sua entrada na chapa só foi oficializado no dia 11 de setembro, quando Haddad passou da condição de vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a candidato a presidente.
Com exceção das legalizações do aborto e das drogas, a pauta que apresentava já era alinhada ao PT, com uma defesa enfática da inocência de Lula e críticas a medidas do governo Michel Temer, como teto de gastos.
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