Direto da redação
Durante uma roda de conversa no encontro do G7, em Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que nunca foi uma figura de esquerda. Em diálogo informal com autoridades globais nesta quarta-feira (17), o chefe do Executivo relembrou suas raízes no movimento sindical e chegou a mencionar que já foi rotulado como “anticomunista” na década de 1980.
A afirmação, reportada pela CNN Brasil, ocorreu em uma conversa com o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Convidado para a cúpula das sete maiores economias do mundo pelo presidente francês Emmanuel Macron, Lula explicava o sistema eleitoral brasileiro e elogiava a segurança das urnas eletrônicas.
Durante o papo sobre a permanência de governos conservadores na França e republicanos nos Estados Unidos, a diretora do FMI o questionou sobre a imagem de “esquerdista” que marcou a sua primeira eleição à presidência em 2002. Lula prontamente refutou a classificação.
“Mas eu nunca fui esquerdista. Eu era um dirigente sindical que tinha uma belíssima relação com o sindicalismo alemão, tinha uma relação boa com o sindicalismo italiano. Tinha uma relação com a UGT, da Espanha”, argumentou o presidente.
De sindicalista a “anticomunista”
Para ilustrar o seu distanciamento histórico de alas ideológicas radicais, o mandatário brasileiro resgatou um episódio da época da Guerra Fria e da Ditadura Militar no Brasil.
“Em 1980, eu tive um congresso na Rússia [União Soviética] que eu fui convidado. Eu não fui na Rússia porque eu estava condenado pela Lei de Segurança Nacional”, detalhou Lula. Sem a possibilidade de ir a Moscou, ele alterou sua rota: “Eu fiz uma viagem pela Europa, angariando solidariedade. E aí eu passei a ser tratado como anticomunista”, completou.
A agenda do presidente brasileiro na França conta com intensa movimentação diplomática. Além da participação nas sessões principais do G7, Lula realizou discursos e manteve reuniões bilaterais de peso, incluindo um encontro com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e breves interações com outras lideranças globais.
