Direto da redação
O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato a deputado federal, José Dirceu, utilizou suas redes sociais para criticar duramente a TV Globo e o Jornal Nacional. O petista classificou como “vergonhosa” a cobertura da emissora sobre a nova fase da operação da Polícia Federal que investiga a fraude contábil bilionária nas Lojas Americanas.
De acordo com informações publicadas pelo portal O Antagonista, Dirceu protestou pelo fato de a reportagem do telejornal não ter citado nominalmente os empresários e principais acionistas da varejista, Beto Sicupira e Jorge Paulo Lemann.
“JN ontem vergonhosamente ocultou o nome de Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann na reportagem sobre a fraude nas Americanas. Um fiasco”, escreveu o ex-ministro em sua conta no X (antigo Twitter). Ele completou afirmando que a postura da emissora reflete “um descaso com os fatos e um desrespeito à cidadania e à obrigação impositiva de informar os fatos, e não escondê-los”.
Aproveitando o episódio, Dirceu voltou a defender publicamente uma bandeira histórica e polêmica de seu partido: a regulamentação dos veículos de comunicação. “Uma prova de que não são só as Big Techs que precisam de regulação”, disparou o petista.
A Operação da PF e o rombo nas Americanas
As declarações de Zé Dirceu ocorrem em meio aos desdobramentos da segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal nesta semana. A ação investiga a fraude contábil que omitiu dívidas bilionárias e inflou artificialmente os resultados financeiros da companhia, apresentando ao mercado uma saúde financeira irreal e valorizando as ações na Bolsa de Valores.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Por determinação da 10ª Vara Federal Criminal do Rio, foi ordenado o bloqueio de até 54 bilhões de reais em bens e valores dos investigados — montante que equivale ao prejuízo total estimado pelas fraudes nos balanços da empresa.
A nova etapa da força-tarefa busca esclarecer se os principais acionistas da varejista e representantes de grandes bancos privados tinham conhecimento ou participação direta nas irregularidades. Segundo as investigações da PF, ex-executivos da Americanas estruturaram o esquema de manipulação baseado em operações de risco sacado e verbas de propaganda cooperada (VPC) para receber bônus milionários atrelados ao falso desempenho da companhia.