Direto da redação
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta de três páginas “ao povo brasileiro e à comunidade internacional”, na qual afirma ser “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” e acusa o Judiciário de ter permitido uma “fraude eleitoral” no segundo turno de 25 de outubro, vencido por Lula (PT). O texto veio após o senador deixar o país rumo aos Estados Unidos. Instante depois de divulgar o documento, ele retira o trecho onde se declara “presidente do Brasil” e substitui por “líder do Brasil”.
Na carta, Flávio agradece ao presidente americano, Donald Trump, e ao argentino, Javier Milei, e diz ter levado a família para os EUA, onde pode estar em segurança. Ele critica a decisão do STF que prorrogou a votação, afirma que o TSE não deu “uma única resposta crível” e defende a cassação da chapa Lula-Alckmin. Diz também que Lula teria somado “mais de 10 milhões de votos” do primeiro para o segundo turno, alegação que não foi confirmada nas fontes consultadas.
O senador sustenta ainda que é alvo de “perseguição política” e que não há mandado de prisão contra ele. Sem citar nomes, ataca um juiz “implicado em um imenso escândalo de corrupção” que, segundo ele, usou um inquérito para “tentar sequestrar” seus passaportes.
Sobre a viagem, afirma: “não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”. Compara sua situação à de exilados como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e María Corina Machado e diz que, preso ou calado, não poderia liderar a oposição. Promete falar “regularmente” ao povo brasileiro nos próximos dias e mobilizar apoiadores “por todos os meios pacíficos e legítimos”, com a ressalva de que a luta “não terminou no dia 25 de outubro”.
Confira a Carta no perfil do jornalista Luis Lacombe
O que dizem os fatos apurados
A campanha de Flávio também pediu a prorrogação da votação, em cidades de SP, PR e SC, e o ministro Cristiano Zanin a estendeu até as 19h em todo o país. O ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes em um inquérito sobre suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, que negam irregularidades. Flávio não os entregou, e a PF cancelou os documentos. O PL reconheceu a vitória de Lula, que chamou a viagem de FB “ato vergonhoso”.
