Renato Russo: 30 anos sem o poeta do rock nacional e o legado que atravessa gerações

Há três décadas, em 11 de outubro de 1996, o Brasil se despedia de uma das vozes mais marcantes e poéticas de sua música. Renato Russo, líder e vocalista da Legião Urbana, falecia em decorrência de complicações da Aids. Deixou um acervo musical que marcou a juventude dos anos 1980 e segue atual, atravessando gerações com letras que abordam política, amor, angústias existenciais e transformações sociais.

À frente da Legião Urbana — formada ao lado de Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e, na formação inicial, Renato Rocha —, o compositor assinou clássicos como “Será”, “Tempo Perdido”, “Que País É Este”, “Faroeste Caboclo” e “Pais e Filhos”. A trajetória começou com o disco de estreia em 1985 e seguiu até o último trabalho lançado em vida, poucos dias antes de sua morte. Além da banda, Renato explorou sua versatilidade em projetos solo gravados em inglês e italiano.

A visão de um fã e colecionador

A atemporalidade da obra de Renato Russo segue viva no cotidiano de fãs pelo país. Em Caiçara, no interior da Paraíba, o pesquisador e ativista cultural Jocelino Tomaz acompanha a trajetória do grupo desde o início dos anos 1990. Ao longo do tempo, ele construiu um acervo composto por CDs, discos de vinil, DVDs, livros, revistas, jornais e pôsteres, além de ter participado de homenagens e dublagens do poeta em eventos locais.

Para Jocelino, a força das composições está no retrato fiel dos dilemas da chamada “Geração Coca-Cola”:

“As letras traduziram os sentimentos da juventude da época. Renato abordava política, corrupção, drogas, sexualidade e dores pessoais com uma profundidade reflexiva que hoje raramente se encontra nos sucessos comerciais.”

Admirador com visão crítica

Apesar da forte ligação com a musicalidade e com o tom grave marcante da voz de Renato, o pesquisador ressalta que a admiração artística não se confunde com idolatria pessoal. Para Jocelino, o próprio cantor mantinha uma postura crítica em relação aos excessos da vida pessoal, expressando em vida o arrependimento pelo envolvimento com o álcool e com as drogas.

Passadas três décadas de sua partida, Renato Russo permanece como um pilar da cultura nacional, lembrado não apenas pelo impacto cultural de sua época, mas pela capacidade contínua de fazer as novas gerações refletirem sobre a sociedade e as emoções humanas.

Compartlhar
Enviar
Twitter
Telegram

Salve este blog entre os seus favoritos, leia e fique por dentro do que você precisa saber.

Se inscreva no canal do Youtube e siga o editor no Twitter, Facebook, Instagram e Threads.